Luciano Magalhães foi afastado do comando de colégios militares após vazamento de investigação envolvendo o deputado, que o indicou no dia seguinte para cargo na Alego: Luciano confessou interferência na contratação da própria esposa por colégios militares; ela era servidora do gabinete de Adailton na Assembleia
O coronel da Polícia Militar Luciano Souza Magalhães confessou ter usado a função e a ascendência hierárquica para influenciar a contratação de serviços de gerenciamento de mídias sociais prestados por sua esposa, Camila Maia Gomes Magalhães, e por empresas ligadas a ela. A confissão integra um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) firmado com o Ministério Público de Goiás (MP-GO), que estabeleceu ainda o pagamento por parte do coronel de R$ 33 mil a uma entidade de interesse social como parte da reparação pelo delito.
O valor foi destinado ao Conselho da Comunidade na Execução Penal da Comarca de Aparecida de Goiânia. Conforme manifestação apresentada pelo MP-GO em julho, o coronel realizou o pagamento integral antes mesmo da homologação judicial do acordo. Por isso, além de pedir uma audiência para validar o ajuste, os promotores requereram que a Justiça declare extinta a punibilidade do investigado.
ACORDO
O acordo estancou um processo pelo crime de tráfico de influência, previsto no artigo 336 do Código Penal Militar. Segundo o documento, entre janeiro e junho de 2022, em Goiânia, Luciano orientou e influenciou diretores das Associações de Pais, Mestres e Funcionários (APMFs) dos Colégios Estaduais da Polícia Militar a contratarem os serviços prestados pela própria esposa.
O acordo evita o oferecimento de denúncia e não equivale a uma condenação criminal. Uma vez homologado e integralmente cumprido, não constará na certidão de antecedentes, salvo para verificar eventual concessão futura de benefício semelhante. No caso de Luciano, como os R$ 33 mil já foram pagos, o MP pediu à Justiça a homologação do ajuste e a consequente extinção da punibilidade.
INVESTIGAÇÃO
A investigação do MP-GO se cruza com outra, que foi negada pelo deputado Coronel Adailton (Solidariedade) por muito tempo. Um relatório do Setor de Inteligência da Polícia Militar de Goiás de 2024 apontava Luciano, Camila, Adailton e a vereadora Capitã Elizete (PRD) num esquema com a suspeita de cometimento de diversos ilícitos. Um deles foi este que Luciano Magalhães se livrou mediante acordo e pagamento.
Após o vazamento das informações por diversos veículos de comunicação a época, como Portal 6, O Popular e o Portal Metrópoles, o Governo de Goiás anunciou em 10 de abril de 2024 o desligamento do coronel Magalhães do comando dos colégios militares
CONFISSÃO
De acordo com o MP, a interferência teria proporcionado vantagem econômica a Camila e às empresas administradas por ela ou relacionadas à sua atuação. No termo, Luciano, acompanhado por advogado, declarou aceitar as condições de maneira livre e assinou uma “confissão formal, espontânea e circunstanciada”, assumindo envolvimento nos fatos descritos.
Entre as provas citadas pelo MP também estão depoimentos de servidores dos colégios. Uma testemunha afirmou que, depois de uma visita do coronel ao comandante de uma unidade, a profissional que cuidava das redes sociais teve de repassar a senha do Instagram para Camila. Outra declarou ter sido informada de que a mudança ocorria por determinação de Luciano e que a esposa dele passaria a receber pelo serviço.
Um tenente-coronel também confirmou que Luciano avisou que Camila faria uma visita posterior à unidade. Para o MP, os relatos indicaram que as contratações não resultaram de decisões inteiramente autônomas das administrações escolares, mas ocorreram em um contexto de influência ligada à posição ocupada pelo coronel no Comando de Ensino.

Após ser afastado de colégios, Luciano foi nomeado na Alego por indicação de deputado
Apenas um dia depois de confirmado seu afastamento do comando de ensino dos Colégios Militares de Goiás, o Coronel Luciano Magalhães foi rapidamente amparado pelo deputado anapolino Coronel Adailton. Ele foi nomeado para um cargo de diretoria na Assembleia Legislativa de Goiás, a pedido do parlamentar. Quem confirmou a informação – em 11 de abril de 2024 – foi o próprio presidente da Alego, Bruno Peixoto (União).






