Depois da estagnação de uma década no principal índice de avaliação da educação, o Ideb, a rede municipal de ensino vai trilhar um novo caminho. É isto que prega a secretária de Educação, Adriana Arantes, em entrevista exclusiva ao Anápolis Diário. Ela relata que assumiu uma gestão sem plano pedagógico e precisou estruturá-lo do zero – os efeitos disso, claro, só serão sentidos à frente, mas a perspectiva, na visão dela, é promissora.
Confira a entrevista na íntegra:
Anápolis Diário: Nos anos iniciais do ensino fundamental, o município teve um avanço muito modesto no Ideb – de 6,2 para 6,3. Qual sua avaliação desta quase estagnação?
Adriana Arantes: A nossa meta seria o 6,2. A gente alcançou a meta este ano. Era algo que, diante da estrutura recebida, havia essa preocupação. Começamos a desenvolver um trabalho, que de fato já resultou em alcançar a meta. Temos trabalhado para superá-la no próximo Ideb. Quando assumimos a gestão, havia uma grande quebra na parte pedagógica. Era a construção desse caminho. Precisamos construir esse caminho ao longo do tempo. Ele passa pela parte pedagógica, avaliação diagnóstica, formativa e somativa. Vamos avaliando o nível dos estudantes e trabalhando as lacunas durante o percurso. Tivemos um período curto para os acertos que eram necessários, mas ainda assim avançamos. Subir 0,1 parece pequeno, mas diante do contexto foi considerável. Todos os municípios, estados que têm se desenvolvido no Ideb, o processo é esse: avaliação, monitoramento, acompanhamento. O percurso precisa ser feito. Identificar dificuldades e trabalhar em cima delas. Este ano já fizemos uma avaliação diagnóstica da pré-escola. Como ela sai da pré-escola e chega no primeiro ano? E assim sucessivamente. Temos trabalhado com recomposição de aprendizagem. Este ano, por exemplo, alcançamos a meta de 2030 de alfabetização.
AD: De 2005 a 2015, nesta mesma fase do ensino, a rede municipal avançou 1,6 ponto na nota do Ideb. Porém, de 2015 a 2025 – dois períodos numa janela de dez anos – a variação foi somente de 0,6 ponto. Claro que os dados dizem respeito a gestões anteriores, mas qual o diagnóstico da atual administração sobre este cenário?
AA: É exatamente um cenário de estagnação. Tivemos uma reunião de alinhamento com diretores para discutir esses dados. Houve essa quebra pedagógica nesse período de quase dez anos e temos retomado agora o caminho. Começamos com o projeto pedagógico em 2025 e temos seguido. Anápolis parou e agora recomeça em uma nova etapa. Ouvimos isso da própria Seduc (Secretaria de Estado da Educação). A cidade é responsável por 12% do resultado de Goiás. É muito importante. Fomos cumprimentados pela melhora e fizemos alinhamentos. Já começamos a subir no ICA (alfabetização na idade certa). No Ideb alcançamos a meta.
AD: Que medidas foram tomadas pela Secretaria de Educação para reverter esse cenário de estagnação do município no Ideb?
AA: Nosso trabalho hoje é esse. Fazemos um trabalho muito direto com formação periódica dos profissionais das unidades. Já temos materiais didáticos disponíveis. No ano que vem, ele será impresso. As unidades com notas mais baixas, as que chamamos de prioritárias, têm ações específicas. Há uma assessoria com avaliação diagnóstica, também formativa. Começamos agora o Prepara Anápolis, com avaliação formativa dentro das escolas. Criamos aulões para os estudantes, elaborados por professores de excelência. Utilizamos o Sead, que é educação a distância, mandamos para todas as escolas (os aulões). Todos os aulões são baseados em avaliações, não são aleatórios. Temos ampliado o reforços escolar. O plano também é específico para cada unidade, para melhorar os resultados. São crianças que precisam ser resgatadas para termos um resultado cada vez melhor.
AD: No Ideb de 2027 já será possível enxergar algum efeito destas ações?
AA: Com certeza. É o que temos trabalhado. O alinhamento acontece o tempo todo com gestores, coordenadores, professores, materiais didáticos específicos. Queremos superar a meta que já está proposta para Anápolis.
AD: Nos anos finais do ensino fundamental, seis das dez piores notas são de escolas municipais. O que explica este resultado?
AA: É a mesma situação. O nono ano, por si só, já é mais difícil de conseguir chegar. São escolas com muita dificuldade da relação escola-família. São escolas com estudantes de alta vulnerabilidade. A entrada e saída desses adolescentes, o fluxo escolar, são mais complicados. Temos trabalhado isso. São regiões mais carentes, com mudança muito frequente do fluxo. Crianças que entram e saem da rede o tempo todo. O trabalho é mais difícil. Temos feito um trabalho mais específico para o nono ano, que é nosso grande gargalo. São famílias que mudam o tempo todo, de cidade, de bairro, de colégio. Quando não temos esse aluno, é mais difícil trabalhar as lacunas de aprendizagem. Temos feito um trabalho mais específico com o nono ano.
AD: Nesta etapa, as quatro melhores avaliações foram de colégios militares. Em Anápolis, há uma proposta de militarizar escolas. O que a senhora pensa sobre a proposta?
AA: É um diálogo em andamento. Primeiramente temos que alinhar a rede. Ainda não há. Estamos construindo. Precisamos de uma condição pedagógica positiva, o que estamos fazendo, precisamos de estrutura, por isso temos reformado. Consideramos muito importante para rede, mas neste momento é importante ter a sua rede. Construção pedagógica, reforma estrutural, para depois ter o projeto. É muito difícil trabalhar da forma que pegamos. Precisamos, primeiro, estabelecer o plano pedagógico e ter a estrutura física necessária para implantar um projeto deste tamanho.
AD: O ensino médio é de responsabilidade do governo estadual. Só um de 30 colégios conseguiu nota maior que 6,0 no Ideb. Embora a atribuição seja doutra esfera, de que forma o município pode atuar para colaborar com um avanço nesta média?
AA: Já temos alguns projetos que desenvolvem esse atendimento. Tem projeto nosso que trabalhamos aos sábados, no Cefope, com alunos para preparação para o Enem. Outro projeto é criar um reforço para os alunos do Enem. Mas a rede estadual faz isso com louvor. A gente vê essa parceria. Anápolis é parceira. Temos professores de excelência, que podem contribuir. E temos esses projetos também. A Câmara também faz esse trabalho conosco. E pretendemos mais projetos para contribuir com o Estado nesta formação.






