Resultados eleitorais têm impactos distintos em campanhas e candidatos. O vereador Suender Silva (PL) manifestou de forma peculiar os desdobramentos do pleito do último domingo (04). Candidato a deputado federal, Suender fez uma campanha baseada em ataques ao deputado federal Rubens Otoni (PT), questionando até mesmo sua existência. Obteve votação de interpretação dúbia: gigante para um vereador, longe do mínimo para começar a disputar o mandato ao qual se lançou.
Ganhou para terceiro suplente. Mas isto não impediu que o “sucesso” lhe subisse à cabeça, demonstrando que apesar de disputar um mandato federal, sua régua ainda é de vereador. O parlamentar anapolino usou suas falas no plenário para se gabar de ter vencido outros concorrentes apoiados pelo prefeito Márcio Corrêa (PL).
“Venci o cabo eleitoral deles”, disse, referindo-se aos candidatos Vitor Hugo, seu colega de partido, e Célio Silveira (MDB). Ao contrário de Suender, ambos estarão em Brasília em 2027.
Silva foi além: revelou ter aproximado Márcio Corrêa de Jair Bolsonaro em 2024. “Eu quem fiz a ponte”, garantiu. O vereador sugere que o prefeito deveria ter lhe apoiado. “Não fui reconhecido e eu não estou exigindo. Mas o prefeito deveria ter gratidão por mim”, sugeriu durante sessão plenária.
Suender ainda fez novas revelações, como a de que foi ele quem deu “corpo político” a Vitor Hugo em Anápolis. Numa conta rápida é possível verificar que nem se tivesse herdado 100% dos votos do colega Vitor Hugo na cidade ele teria êxito. O major teve 16 mil votos anapolinos. Somados aos 25 mil que Suender teve no Estado, daria pouco mais de 41 mil sufrágios. Terceiro eleito na chapa do PL, Fábio Sousa precisou de mais de 43 mil votos.
O parlamentar, no entanto, minimizou a falta do apoio, preferindo comemorar nos braços do povo: “A sociedade me quis”.






