Depois de vários meses de desencontros, o PT goiano definiu na última semana o nome do ex-deputado estadual Luis Cesar Bueno como pré-candidato da legenda ao governo de Goiás. Neste período, o partido teve vários cotados – Edward Madureira, Valério Luiz Filho, o produtor rural Flávio Faedo e Adriana Accorsi – mas desperdiçou um precioso tempo de pré-campanha. Agora à frente da candidatura, Bueno defende o potencial eleitoral de Lula como o grande trunfo do projeto petista e não entende a escolha tardia como prejuízo.
Leia a entrevista na íntegra:
Anápolis Diário: Como foi para o senhor receber a notícia de que é o escolhido do PT para a disputa?
Luis Cesar Bueno: É uma grande honra. Aceitamos com muita responsabilidade este desafio de representar o PT e o presidente Lula na disputa estadual.
AD: Definida sua candidatura, quais são seus primeiros passos?
LCB: Vamos conversar com os partidos aliados, da frente democrática, reforçar nosso projeto e construir os apoios. Vamos dialogar para ter o apoio de todos eles e buscar outros partidos que queiram estar conosco no palanque do presidente Lula em Goiás.
AD: O PT é o último partido a definir candidatura ao governo de Goiás. Daniel Vilela era o nome governista conhecido desde 2022. Marconi e Wilder também estão na disputa desde o ano passado. Em que medida a demora para a definição do PT pode penalizar sua candidatura?
LCB: Não entendo que houve demora. Houve prudência. Não houve nenhum processo de divisão, de afloramento de ânimos. A presidente conduziu o processo com cautela e prudência, sempre ouvindo a direção nacional do partido. Esse processo de amplo debate foi uma estratégia que o partido usou para consolidar uma candidatura que representasse o consenso interno no partido e na frente progressista.
AD: Não considera um problema ter perdido todo o período da pré-campanha para apresentar seu nome?
LCB: O PT tem a maior ficha de serviços prestados em Goiás a partir dos governos Lula e Dilma. Isso faz com que a gente entre em condições no jogo, independentemente de qualquer circunstância em que a nossa candidatura tenha sido definida.
AD: Qual a estratégia para minimizar o impacto do atraso na escolha do seu nome nas urnas?
LCB: O nosso grande trunfo eleitoral é o que construímos em Goiás. O PT tem um grande legado em Goiânia, Anápolis, no Entorno do Distrito Federal, e Lula fez muito em Goiás. Temos uma malha de serviços prestados que ninguém tem. Ninguém fez tanto para Goiás como Lula fez. Vamos mostrar isso e o eleitor vai entender que representamos uma candidatura que representa desenvolvimento com justiça social.
AD: O PT sai ferido deste processo lento para a escolha de sua candidatura, depois de passar por tantos nomes e desarranjos?
LCB: Eu discordo. Não houve nenhum afloramento de ânimos. Todo o processo foi conduzido ouvindo a direção nacional do partido. E estaremos unidos.
AD: PDT, PSB e a Federação PSOL-Rede já definiram palanque a Lula em Goiás, mas esse apoio à sua candidatura ainda não está selado. Acredita que terá o apoio de toda a chamada frente progressista?
LCB: Desde o início do processo, em outubro do ano passado, mesmo ainda sem falar como candidato, tenho conversado com os partidos. Procurei todos os partidos da frente. Temos o entendimento, consolidado desde lá atrás, que o PT teria o candidato ao governo, e os demais partidos indicariam as duas vagas ao Senado, quatro vagas de suplente e a vice-governadoria. Esse entendimento se consolidou atrás. Entendemos que vamos manter a frente que sustenta a candidatura de Lula em Goiás unida. Queremos sentar com os partidos e compor a chapa.
AD: Hoje há pelo menos quatro pré-candidaturas ao Senado neste rol de partidos aliados. A ideia é ter múltiplas candidaturas ou apenas as duas da chapa oficial.
LCB: Vamos debater essa estratégia com os partidos. Lula teve 1,5 milhão de votos em Goiás. Esse eleitorado, se agrupado, pode garantir a eleição de um senador. Isso, claro, anima muitos partidos, que começam a se movimentar e lançar as candidaturas de olho neste espólio. Entendemos que duas candidaturas nos dão maior competitividade. Mas eremos maturidade para fazer o debate sem desagregar, sem nenhum tipo de imposição, e consolidar um campo amplo.






