A Polícia Federal realizou uma operação para fechar uma rádio pirata que atuava na região de Pirenópolis. Batizada de “Frequência Oculta”, os agentes fecharam a emissora “Rádio MBC”, que atuava na região sem regulamentação da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
A emissora – que iniciou suas atividades como uma Rádio Web, que não demanda nenhum tipo de regulação federal – migrou para a frequência FM. A empresa que toca a rádio é a “Reinaldo Gama de Lima”, uma microempresa individual do proprietário homônimo.
A rádio retransmitia conteúdo produzido por uma rádio web e um podcast ligado ao deputado estadual Coronel Adailton (Solidariedade). A simpatia pelo conteúdo editorial não era mera coincidência ou simpatia. Desde 2022, a empresa Reinaldo Gama recebeu repasses mensais do gabinete do deputado Coronel Adailton.
Pelo menos desde outubro de 2022, o deputado Coronel Adailton enviou valores da verba indenizatória para a empresa. Os repasses, que começaram com R$ 1 mil mensais, foram ampliados para R$ 2 mil em 2023 e 2024 e 2025. Em março de 2026, último mês disponível no Portal Transparência da Alego, o investimento mais que dobrou, passando a R$ 5 mil à empresa responsável pela transmissão pirata.

As informações são públicas e estão disponíveis no Portal Transparência da Assembleia Legislativa de Goiás (Alego). Reinaldo Gama, proprietário do negócio, foi candidato a vereador na cidade de Pirenópolis pelo Solidariedade, mesma legenda de Adailton. Tanto em 2016 quanto em 2024, Gama perdeu a disputa, ocupando a suplência do legislativo daquele município.
O espaço para o grupo de Coronel Adailton era registrado. Em algumas postagens o perfil oficial do deputado fazia publicações em colaboração com o perfil da Rádio MBC. Aliados do deputado também tinham espaço, caso do vereador Elias do Nana (PSD), que atuou como chefe de gabinete de Coronel Adailton.


Durante a operação, a rádio encontrava-se em funcionamento. Um operador de áudio foi preso em flagrante e conduzido à Delegacia de Polícia Federal em Anápolis, para o registro do auto de prisão.
Além de atuar na reprodução dos conteúdos dos programas ligados a Adailton, a emissora também fazia propaganda, convocando clientes em potencial a anunciar na emissora FM.

OUTRO LADO
O Anápolis Diário procurou a assessoria de Coronel Adailton, que hoje está licenciado do mandato na Alego, a fim de obter explicações sobre a natureza da relação entre seu mandato e a empresa responsável pela emissora. Até o prazo de fechamento desta reportagem não houve manifestação do parlamentar. Ele foi questionado ainda se tinha conhecimento das atividades de radiodifusão da emissora que reproduzia os conteúdos de seu grupo político. O espaço segue aberto para quaisquer manifestações.






