“Com muita paz”. Assim o Padre Françoá Costa afirma ter recebido a nota de excomunhão do Vaticano. O clérigo, que é capelão da Capela Santo Atanásio, em Ceilândia (DF), garantiu que este é também o sentimento da comunidade que o cerca. Tanto que – como frisa a veículos de comunicação do Distrito Federal – nada mudou na rotina do templo, com a realização de missas, cursos e administração de sacramentos.
A principal motivação para a serenidade na divulgação da nota da Arquidiocese de Brasília é, de acordo com o reverendo, pelo fato de que a associação da capela à Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX) e às suas posições doutrinárias tradicionalistas, já colocava o grupo de fieis no decreto de excomunhão e na declaração de cisma emitidos pelo Vaticano no dia 2 de julho.“O cardeal de Brasília, dom Paulo Cézar Costa, apenas explicitou aquilo que já estava no decreto do Dicastério de Roma para o caso concreto da nossa capela”, explicou o sacerdote ao Portal Metrópoles.
O padre contestou formalmente a validade jurídica da punição, recorrendo ao próprio Código de Direito Canônico (CDC) da Igreja Católica para argumentar que a comunidade não se encontra em situação de ruptura espiritual. “Recebemos a Nota Pastoral do Cardeal e da Arquidiocese de Brasília com muita paz, pois sabemos que, segundo os Cânones 751, 1323 e 1324 do Código de Direito Canônico da Igreja Católica, não somos nem cismáticos nem excomungados”, declarou.
Ao contrário do entendimento do Vaticano, o padre Françoá assegura que todos os sacramentos ali ministrados são “válidos e lícitos” devido ao princípio teológico da “jurisdição de suplência”, dispositivo pelo qual a própria igreja supriria a autoridade legal do clérigo para garantir que os fiéis não fiquem desamparados espiritualmente em momentos de crise.





