Por Henrique Morgantini e Rafael Tomazeti
A psicóloga Ana Caroline Guimarães Faria nunca cogitou entrar para a política. “Era inimaginável”, garante a agora candidata a deputada estadual. Ela concorrerá sob o nome “Carol do Amiltin” após o trágico acidente rodoviário que matou seu marido nas primeiras horas de sábado (26). Mais do que dizer que foi convencida a assumir a missão, Carol prefere afirmar que se deixou convencer pela história que construiu ao lado dele. “Foram anos acompanhando seu trabalho, vendo seu aprendizado, aprendendo com seus erros, mas sempre com a ideia de fazer a diferença na vida das pessoas”, diz. Acompanhe a entrevista.
Anápolis Diário – Como foi o processo de decisão que a levou a aceitar a candidatura?
Ana Caroline Guimarães – Foi dolorido, como tem sido tudo o que envolve a minha vida e a dos meus filhos nestes dias. Não houve um processo estratégico de escolha, até porque estou aqui em razão de uma tragédia pessoal e de uma grande perda para Anápolis. Mas foi uma escolha racional, na medida em que pude abraçar meus filhos e sentir que todo o esforço de uma vida não poderia ser em vão após a morte do meu marido. O trabalho do Amilton não pode ser esquecido com o tempo nem ficar pela metade, incompleto. A principal razão para essa decisão é ele, é o trabalho dele, é a força que ele tinha para impactar positivamente as pessoas. Então, entre o luto que vivo e a luta que vem pela frente, eu abraço a esperança.
AD – A senhora conviveu com Amilton durante toda a carreira política dele e faz parte de uma família que vive a política. Isso é suficiente para prepará-la para este desafio?
ACG – Certamente que não. Até porque só a prática, a experiência do dia a dia e a tensão do momento moldam alguém para desempenhar uma função, um trabalho. Isso vale não só para a política, mas para todas as demais áreas. Mas eu sei o que é importante, sei o que importa. Eu não negociei votos para algum projeto nem briguei por alguma emenda. Mas estive com o Amilton nas diversas vezes em que vimos a alegria de mães e crianças na entrega de uma escola, de um benefício ou de uma obra de asfaltamento com a participação dele. Eu vou aprender a trilhar o caminho, mas há muito tempo sei onde tenho de chegar, que é fazer a diferença e melhorar a vida das mulheres, dos estudantes, dos trabalhadores e dos empreendedores goianos.
AD – Como sua candidatura foi recebida pelos prefeitos e pelas lideranças de outros municípios que apoiavam Amilton?
ACG – Mal tivemos tempo de conversar, essa é a verdade. Estou cuidando dos meus filhos e amparando-os, assim como sou amparada pelos dois. Por sorte, o grupo político do Amilton tem pessoas preparadas para manter esse diálogo. E todos os prefeitos e lideranças têm sido muito respeitosos com o momento e com o compromisso firmado em torno do projeto do Amiltinho. São parceiros fieis assim como meu marido sempre foi com eles.
AD – Em caso de eleição, quais serão os papéis de Andreia Rezende e Amilton Batista no seu mandato?
ACG – Serão fundamentais, como já eram e sempre foram em todos os mandatos do meu marido. Agora, serão ainda mais importantes por causa da situação familiar. A tragédia nos une e nos dá força. E isso terá valor para as relações pessoais, mas também para as relações de trabalho e para a atuação política. Eles eram conselheiros valorosos e continuarão sendo. Assim como o prefeito [Márcio Corrêa], que esteve ao nosso lado o tempo todo, respeitando os momentos, avançando no diálogo, mas sem transformar a nossa perda em um fato político. Acredito que, juntos, podemos dar continuidade a tudo o que vinha sendo feito pelo Amilton Filho, até porque ele deixou um plano. Ele tinha uma estratégia e sabia como queria trabalhar pelo estado, pelas cidades e, principalmente, pelos anapolinos.
AD – Se pudesse escolher apenas uma, qual bandeira de Amilton a senhora levaria até o fim em um eventual mandato?
ACG – A educação. Era a principal bandeira dele, não só na política, mas na vida. Ele é resultado da educação, da formação; eu também sou. Sempre colocamos isso como prioridade para os nossos filhos. E, na política, pelo que acompanhei do trabalho do meu marido, a missão era dar aos filhos de todas as famílias a chance que nós tivemos de estudar, progredir e evoluir como cidadãos e profissionais. A gente sempre ouve que a educação transforma, mas só quando vemos as oportunidades chegando é que sentimos a esperança. Só quando voltamos, anos depois, ao lugar onde uma escola foi inaugurada e vemos que aquelas vidas mudaram é que percebemos o quanto a boa política é capaz de transformar uma vida, uma cidade, um país.
AD – A receptividade da sua decisão, de certa forma, dividiu opiniões. Há manifestações de coragem pela sua ação, mas também há críticas de não viver o luto, de buscar o poder político sob estas condições.
ACG – Meu marido viveu a política intensamente. Viveu os debates, as discussões, fez planos, venceu batalhas, perdeu outras. Era a vida dele. Ele morreu fazendo política. E se eu tenho uma certeza, é que ele morreu por aquilo que acreditava. Quando me fizeram a proposta e apresentaram os argumentos, eu só pensei que se eu sou a única neste momento capaz de levar adiante a razão de sua vida e de sua morte, seria um egoísmo enorme largar seu trabalho para trás pensando somente em mim. Esta é uma missão de doação, de coragem, mas também de abdicação do luto. Eu terei tempo de viver o luto, só que agora preciso celebrar o trabalho e o legado do meu marido para Goiás.






