O discurso emocionado do senador eleito Gustavo Gayer (PL), no qual afirmou ser eternamente grato à fidelidade e ao empenho do prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa (PL), é um importante sinal do sucesso da estratégia eleitoral do gestor anapolino — mas não o único. Nestas eleições, o prefeito poderia emoldurar os resultados e pendurá-los na parede.
Ao longo de 2026, Corrêa bancou projetos, comprou brigas com gente grande, apoiou candidatos e acompanhou de perto o desempenho de seus adversários. Em meio a tudo isso, ainda teve seus planos atravessados por uma tragédia. A morte de seu principal aliado político em Anápolis e na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) poderia ter comprometido todo o planejamento, mas acabou convertida em comoção popular e êxito eleitoral.
Um termômetro desse resultado apareceu no discurso de Gustavo Gayer, após a apuração que o confirmou como o candidato mais votado ao Senado nestas eleições. “Sou eternamente grato a você, que é muito mais direita do que qualquer um que queira tirar você do partido”, disse Gayer, emocionado, ao se referir a um dos momentos de maior tensão do pleito.
“SABOR BRIGA”
O prefeito também comprou uma briga com o presidente de seu partido, Wilder Morais. O dirigente do PL não aceitou que Corrêa apoiasse a reeleição de Daniel Vilela (MDB), embora outros integrantes da legenda também tenham seguido esse caminho.
Wilder tentou expulsá-lo do partido e desgastar sua imagem de “direita raiz” junto ao eleitorado bolsonarista, classificando-o como “sabor direita”. Corrêa, porém, foi defendido por nomes como o próprio Gayer e o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL).
Ao final, Wilder deixou de lado o processo disciplinar, perdeu a eleição ainda no primeiro turno e viu Daniel Vilela alcançar 59,66% dos votos em Anápolis.
DEPUTADOS
Na disputa pela Câmara dos Deputados, Corrêa importou do Entorno do Distrito Federal o nome de Célio Silveira (MDB). Aliado do prefeito desde os tempos em que ambos estavam no MDB, Silveira havia recebido apenas 186 votos em Anápolis nas eleições de 2022. No último domingo, impulsionado pelo apoio do chefe do Executivo municipal, conquistou 14.936 votos na cidade.
Para a Alego, o candidato de Márcio Corrêa era Amilton Filho. Com uma previsão interna de alcançar 70 mil votos, o emedebista poderia superar os 45 mil votos somente em Anápolis. A tragédia que o matou uma semana antes da eleição ameaçava pulverizar esse patrimônio eleitoral entre candidatos da cidade e de outros municípios.
Não foi o que aconteceu. Em uma operação de articulação e convencimento político, Carol Guimarães, viúva do deputado, assumiu seu lugar na disputa. Impulsionada pela comoção provocada pela morte de Amilton, ela recebeu 109.002 votos, dos quais 61.717 foram conquistados em Anápolis.

DERROTAS
Além dos aliados que venceram, há também os adversários que ficaram pelo caminho. Os deputados Coronel Adailton (SD) e Vivian Naves (Republicanos) tiveram diferentes níveis de atrito e distanciamento em relação ao prefeito.
Adailton chegou a trocar ofensas e acusações com Corrêa pelas redes sociais. Em um dos episódios mais marcantes do período de rusgas, foi chamado de “ladrão de farda”. O deputado ficou distante da reeleição em uma chapa que conquistou quatro cadeiras. Terminou na oitava colocação.
Vivian Naves, por sua vez, manteve um perfil mais discreto e não entrou em confronto direto com Corrêa. Era ela, entretanto, quem representava o principal núcleo de poder político da família Naves, liderada pelo ex-prefeito Roberto Naves, presidente do Republicanos.
O resultado foi uma derrota em uma chapa estruturada para favorecer sua reeleição. Vivian ficou de fora da próxima legislatura.







