Deputada anapolina eleita com mais de 100 mil votos sustenta que assinou ficha ainda em 2025 e acabou prejudicada por desorganização partidária; apesar de parecer favorável na Justiça, Ministério Público aponta inconsistências nas provas apresentadas para comprovar vínculo
A deputada estadual eleita Ana Caroline Guimarães, a Carol do Amiltinho (MDB), atribui a uma falha administrativa do próprio partido a ausência de seu nome no sistema oficial de filiações da Justiça Eleitoral. A explicação, entretanto, é contestada pelo Ministério Público Eleitoral (MPE), que afirma ter identificado inconsistências nos documentos apresentados para comprovar que ela já integrava o MDB desde novembro de 2025.
A discussão ocorre no processo em que Carol pede à Justiça o reconhecimento de sua filiação ao MDB desde 17 de novembro de 2025 e a inclusão retroativa dessa informação no sistema FILIA. Em sua manifestação, Carol sustenta que assinou a ficha de filiação naquela data e passou a participar de atividades partidárias.
Segundo sua versão, cabia ao partido realizar o lançamento da filiação no sistema da Justiça Eleitoral e a ausência do registro decorreu de desídia da própria legenda. O diretório municipal do MDB concordou com o pedido apresentado por ela.
ANÁLISE
Em 22 de outubro, por unanimidade, os desembargadores decidiram manter o registro de candidatura, porque havia uma liminar judicial vigente reconhecendo provisoriamente sua filiação ao MDB desde 17 de novembro de 2025. O escreve o desembargador Adenir Peres Júnior. ressalta que “a ausência de regular anotação da filiação no Sistema FILIA não afasta a possibilidade de comprovação “por outros elementos de convicção”.
Na manifestação apresentada à Justiça, o promotor eleitoral Lucas Danilo Vaz Costa Júnior afirma não ter localizado, no livro original de atas do MDB de Anápolis, a ata da reunião de 17 de novembro de 2025 na qual a filiação teria ocorrido. Também aponta ausência de outros registros independentes daquela reunião e questiona documentos partidários posteriormente apresentados para sustentar o vínculo.
O MPE levanta ainda dúvidas sobre uma ata de setembro de 2026, apontando diferenças de formatação e sinais de alteração física no livro, além de questionar publicações jornalísticas juntadas ao processo como elementos de comprovação da atividade partidária de Carol.






