Anápolis acaba de alcançar um marco importante em sua gestão fiscal. De acordo com a mais recente avaliação do Tesouro Nacional, a cidade elevou sua nota na Capacidade de Pagamento (Capag), passando da classificação C para a B. O anúncio foi feito pelo prefeito Márcio Corrêa em entrevista coletiva, que marcou o lançamento da programação de aniversário da cidade.
O anúncio foi feito na manhã desta terça-feira (30) em coletiva sobre o lançamento do calendário de eventos pelo Aniversário de Anápolis. “Pagamos R$300 milhões de empréstimo, sendo a maioria juros. Anápolis estava no Serasa fiscal. Não tinha crédito. Ontem saiu o resultado da nossa Capag e saímos do vermelho. Fomos para a Capag B. Isto é fruto dos ajustes que fizemos em 2025. Não fomos para A porque herdamos uma dívida de 40 milhões para pagar em 2025. Batemos na trave”, destacou Márcio Corrêa.
A conquista era uma das metas fiscais perseguidas da atual gestão e que justificou uma série ações de austeridade ao longo destes 16 meses. A expectativa é que, agora, a administração pública possa – por exemplo – renegociar o empréstimo deixado pela gestão Roberto Naves no programa Anápolis Investe. Este item é apontado como estratégico, uma vez que o contrato feito por Roberto Naves (Republicanos) é – segundo a gestão dados da Economia– feito sob juros abusivos.
OUTRAS CONQUISTAS
O avanço na classificação não ocorreu de forma isolada. Paralelamente, o município registrou uma evolução notável no Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro (Siconfi). Desde 2019, os dados disponíveis indicavam que Anápolis permanecia estagnada na nota D. Neste ano, contudo, a cidade subiu para a nota C, saltando mais de 400 posições no Ranking da Qualidade da Informação Contábil e Fiscal.
A trajetória até a nota B na Capag exigiu da administração municipal a superação de obstáculos estruturais nas finanças da cidade. Um dos principais desafios enfrentados foi o indicador de Poupança Corrente, que avalia a relação entre receitas e despesas correntes. A metodologia do Tesouro Nacional considera a média ponderada dos últimos três anos.
Como Anápolis apresentou desempenhos insatisfatórios em exercícios anteriores, o peso desse histórico prejudicou a avaliação imediata, exigindo um esforço ainda maior de contenção de gastos e otimização da arrecadação no período recente.
O quesito de Liquidez Relativa também impôs dificuldades significativas. O ano de 2024 foi encerrado com um passivo superior a R$ 40 milhões em obrigações sem a devida disponibilidade financeira em caixa. Consequentemente, o planejamento para 2025 precisou ser rigorosamente ajustado para garantir não apenas a cobertura financeira do exercício atual, mas também a quitação desse passivo herdado do ano anterior.
IMPACTOS POSITIVOS
A obtenção da nota B na Capag transcende as planilhas contábeis e gera impactos diretos na qualidade de vida dos cidadãos anapolinos. A melhoria na classificação de risco traz benefícios práticos para a gestão pública municipal.
O principal impacto é a facilitação do acesso a crédito e financiamentos. Com a garantia da União assegurada pela nova nota, Anápolis poderá captar recursos junto a instituições financeiras nacionais e internacionais com custos significativamente menores.
Esses recursos são essenciais para viabilizar projetos de infraestrutura de grande porte, como obras de mobilidade urbana, pavimentação, construção de escolas e unidades de saúde.
Além disso, a certificação de responsabilidade fiscal atua como um atrativo para o setor privado. A demonstração de uma gestão transparente e equilibrada transmite segurança institucional, fator determinante para atrair novos investimentos, empresas e indústrias para a região, impulsionando o crescimento econômico e a geração de empregos locais.
O QUE É CAPAG?
A Capag é o principal indicador utilizado pelo Tesouro Nacional para avaliar a saúde financeira de estados e municípios. Essa classificação, que varia de A a D, determina se o ente público possui solvência suficiente para contrair novos empréstimos com garantia da União.





