Enquanto Goiânia viu neste mês o anúncio da obra de duplicação da 11ª rodovia que a conecta com outros municípios – a última não duplicada – Anápolis tem menos um terço dos seus eixos de ligação com pista dupla. Das sete rodovias que cortam o município, apenas em duas o motorista pode desfrutar da duplicação.
Os trechos em questão são federais e foram duplicados há décadas pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT). Tratam-se da BRs-153, que conecta a cidade ao sul com Goiânia e ao norte até o distrito de Interlândia; e da 060, que coincide com a 153 ao sul e ao norte a Brasília.
EIXOS
Por outro lado, a BR-414, apesar do enorme fluxo de veículos rumo a Pirenópolis, um dos principais destinos turísticos do estado, permanece em pista simples e assim restará pelas próximas décadas.
Além dela, as GOs-222, na conexão com Nerópolis; 330, no acesso a Leopoldo de Bulhões ao sul e a Campo Limpo de Goiás a oeste; e a 560, que conecta Anápolis ao distrito de Joanápolis, permanecem com pista simples. As duas primeiras se tornaram eixos importantes e são palcos históricos de acidentes, sobretudo no caso da GO-222, rodovia mais sinuosa e com menores margens de ultrapassagem.
Há ainda o caso da GO-437, que liga Anápolis a Gameleira de Goiás. Até dezembro de 2012 a estrada era um temido lamaçal em tempos chuvosos. A pavimentação chegou há menos de 14 anos, mas sem sombra de possibilidade de uma duplicação.
DUPLICAÇÕES
Há planos para que, num período de 20 a 25 anos, o percentual de saídas duplicadas de Anápolis mais que dobre. Intervenções nas GOs-222 e 330 estão no radar e há contrato assinado para obras de duplicação nas BRs-414 e 153. A última, embora duplicada no sentido norte, só tem duas pistas até Interlândia. Depois, a saga do motorista é em pista simples.
Recentemente foi feito o anúncio pelo prefeito Márcio Corrêa (PL) e o deputado Amilton Filho (MDB) do início de um projeto de duplicação da GO-330, entre Anápolis e Campo Limpo. A verba foi encaminhada de restos de duodécimo da Alego para o Governo de Goiás, com o compromisso de ter esta finalidade.
“O governador me assegurou que apoiaria a duplicação deste trecho, o que ele reiterou recentemente. Esperamos que até agosto o projeto esteja pronto para que em seguida seja licitada e que a duplicação comece efetivamente no início de 2027”, antecipou Amilton durante o evento na Alego que marcou o repasse.
Por ora, não há sequer uma licitação em andamento para a contratação do projeto executivo de duplicação do trecho. Este é o primeiro passo. Só depois do projeto contratado é que a Goinfra segue com o processo licitatório para definir a empresa responsável por, de fato, executar o serviço.

As GOs 330 e 222, estratégicas para o escoamento da produção da região: ambas estão no rol das duplicações, mas em diferentes estágios para sua realização
Entre as BRs desafio de Anápolis é agir pela antecipação das obras previstas
No plano federal, a Ecovias Araguaia, que desde outubro de 2021 administra as BRs-153, 414 e 080 em Goiás e Tocantins, prevê duplicar mais de 60% do trecho norte goiano até o décimo ano de concessão, ou seja, 2031. No entanto, a empresa ainda não tem previsão de iniciar obras entre Anápolis e Jaraguá, no trecho que tem 61 quilômetros de pista simples e um histórico de muitos acidentes.
Em Goiás, a concessionária mantém obras de duplicação em dois trechos: entre Campinorte e Uruaçu, e entre Rialma e Rianápolis. No caso da 414, o prazo é bem longo. O contrato determina que as obras estejam iniciadas no 24º ano de concessão, ou seja, a partir de outubro de 2045.
Nos últimos dez anos, houve um adensamento populacional naquela região, com o crescimento de bairros como Monte Sinai, Santos Dumont e Jardim Promissão. No entanto, não há sinalização de que a duplicação – ao menos no perímetro urbano – possa ser antecipada.
PEDIDO
De olho em uma antecipação do prazo, o prefeito Márcio Corrêa visitou diretores do Dnit e da ANTT a fim de apresentar dados atuais da rodovia e, também, do trevo de acesso a Anápolis, conhecido como “Trevo da Havan”. “Fomos lá com números mostrar a realidade, mostrar que o futuro projetado se antecipou e hoje é o nosso presente’, disse na época o gestor.
A concessionária pode antecipar obras de acesso aos bairros para garantir mais segurança aos motoristas. O tópico foi levantado para a chamada revisão quinquenal do contrato, que ocorre este ano. Foram realizadas audiências públicas nas cidades cortadas pelas estradas concedidas e, em Anápolis, esta foi uma das principais reivindicações.
O prefeito Márcio Corrêa (PL) tem pressionado pela antecipação das obras no município, sobretudo no trevo do Miguel Moreira Braga. Ele já fez duas visitas à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), gestora do contrato de concessão, para cobrar mais atenção a Anápolis. Enquanto isso, afirmou que o município fará intervenções paliativas para aliviar o tráfego enquanto a Ecovias não faz a obra definitiva.

Previsão contratual da concessionaria para duplicação da BR-414 é para 2045, mas dados mostram que volume de veículos para a demanda já chegou em 2026
Das rodovias goianas, GO-222 é quem está mais avançada para duplicação
Está mais adiantado, por outro lado, o processo para elaboração de projetos para a duplicação da GO-222, entre Anápolis e Nerópolis. O trecho em questão tem quase 30 quilômetros e, hoje, todo ele tem pista simples. A rodovia também passa pelo distrito de Goialândia – forte produtor de mexerica – além de dar acesso a Nova Veneza e à GO-080, esta já duplicada no trecho entre Nerópolis e Goiânia e também ao norte, até o trevo com a BR-153, em São Francisco de Goiás.
A partir da contratação, a empresa selecionada terá oito meses para executar o trabalho. O contrato terá vigência de até 36 meses, conforme o edital publicado pela Goinfra.
Esta é apenas a primeira etapa do processo. Depois de aprovados os projetos, o Estado ainda precisa abrir um processo de licitação para a contratação da execução da obra de duplicação. Não há prazo para tal.
O fluxo na GO-222, trecho que liga Anápolis a Nerópolis, é caracterizado por ser um importante corredor logístico e uma alternativa ao pedágio da BR-060, apresentando tráfego intenso de veículos de carga, especialmente caminhões das indústrias alimentícias e farmacêuticas da região.
SEM PREVISÃO
Por outro lado, não há previsão de duplicar as GOs-560, até Joanápolis, e 437, até Gameleira de Goiás. No sentido sul, a GO-330, após o Daia, também não será duplicada num futuro próximo. Contudo, neste trecho Anápolis será beneficiada pela duplicação da GO-010, a partir do trevo de Senador Canedo com Goianápolis, na conexão com Bonfinópolis, Leopoldo de Bulhões e Silvânia.






