A desaceleração econômica anapolina está baseada num tripé de causas, de acordo com ex-presidentes e expoentes da Associação Comercial Industrial de Anápolis (ACIA). Uma delas, na avaliação de dois empresários e líderes classistas que marcaram época, é justamente a perda de protagonismo da Acia no debate dos rumos da economia da cidade.
Outrora combativa e participativa, a entidade tem se ausentado do debate público em anos mais recentes e evita até mesmo se pronunciar sobre o fato recente mais relevante – mesmo que negativo: a queda de Anápolis no ranking das principais economias do estado de Goiás. O Anápolis Diário ouviu todas as principais entidades classistas e somente uma delas, a que já foi a principal, não quis se manifestar: a ACIA.
A história da associação, no entanto, tem dirigentes de posicionamento. Um deles é Ridoval Chiareloto, que liderou a instituição por quatro mandatos desde os anos 1980. Naquele tempo, lembra o empresário, a associação vivia de embates com o Palácio das Esmeraldas para evitar um processo de desindustrialização que traumatizou a cidade.
“No meu tempo era briga constante com Maguito e com Iris Rezende. Enfrentei dois governadores que abandonaram Anápolis. Maguito não trouxe nenhuma empresa para Anápolis. A Acia, em uma época, foi muito prestigiada pelo Marconi. Acia tinha uma força muito grande. O governador despachava lá, não na prefeitura. Tem que ter uma boa penetração e firmeza”, avaliou.
Anastácios Apóstolos Dágios, que esteve à frente da entidade em períodos mais recentes, reafirma que a Acia precisa retomar o protagonismo e destaca que a associação tem como função ser crítica para lutar pelos interesses do empresariado local.
“O papel principal da associação é ser crítico. O governo tem que ouvir a crítica .Quando um empresário se manifesta, é uma coisa, uma associação é outra. Uma das pernas no nosso atraso é a classe empresarial. Falta união e protagonismo. O governo do estado e o prefeito não nos escutam mais porque não há mais protagonismo”, argumentou.
ELOGIOS
Há quem avalie que a Acia mantém este papel. É o caso de Wilson Oliveira, hoje presidente do Sindicato das Indústrias de Alimentação de Anápolis (SindiAlimentos). O ex-presidente da entidade elogia o trabalho da associação e de outros sindicatos e associações. “Eu vejo a Acia muito combativa, os outros sindicatos, todos lutam pelo desenvolvimento de Anápolis”.
“Eu acompanho o Daia há 40 anos e nunca deixou de crescer. Anápolis pode não receber novas empresas há alguns anos, mas várias empresas cresceram muito, como Geolab, Vibracom, Café Rancheiro, Cargill. Na minha ótica, as indústrias de Anápolis dobraram ou triplicaram de tamanho. A gente dobrou a capacidade de energia no Daia. Trouxe um novo linhão e as indústrias fizeram subestações. PIB é relativo”, ponderou.
FUTURO
Chiareloto diz ao AD que o momento é de ter uma posição firme. “Eu iria para a televisão, para o rádio, abriria escritório em São Paulo para buscar investimentos. Seria o mesmo que fui quando Maguito era governador”, asseverou.
Dágios lembra que o cenário de queda já era previsto há mais de uma década pelo Departamento de Estatísticas da ACIA e repete críticas ao governo.
“A Codego não resolveu os problemas estruturais que sempre pedimos. Não se esforçou para resolver os problemas de infraestrutura do Daia. Temos localização, mão de obra, mas o Daia é essencial. Nós temos quase R$ 1 bilhão parados com o Centro de Convenções, Aeroporto de Cargas, Plataforma Logística Multimodal e esse anel viário”, ressalta.
De acordo com ele, a partir do resultado do PIB, em dezembro do ano passado, seria necessária uma convocação emergencial para discutir o tema. “Eu faria uma reunião emergencial e extraordinária e soltaria um manifesto para mostrar para os governos estadual e municipal que não estamos satisfeitos com os rumos que estão dando para Anápolis“, ensina.






