A Polícia Civil identificou também outros servidores que foram apontados por Sinval Cavalvante Júnior como vítimas da “participação” da rachadinha do gabinete do ex-vereador Hélio Araújo (PL), através do repasse de parte do seu salário para outras pessoas. Uma delas é a ex-servidora Thais Chaveiro Farinha.
Em depoimento no dia 14 de março de 2024, Thais confirmou à polícia que os servidores foram informados numa reunião na casa do então vereador Hélio Araújo num sábado “que dependendo do salário recebido, todos os meses seriam descontados do pagamento o percentual de 15% de todos os servidores lotados no gabinete e mais o valor de uma cesta básica”.
Thais afirmou não ter presenciado a reunião, mas somente ser informada desta “norma” posteriormente no gabinete. Ela atuou como assessor parlamentar II entre 06/12/2021 e 01/03/2023, e ganhava R$ 3.864,38. A ex-servidora relatou à Polícia Civil que inicialmente sacava a quantia demandada pelo gabinete e entregava, em dinheiro, ao chefe de gabinete do parlamentar do PL “sem nenhum tipo de burocracia”. Ou seja: não assinava qualquer documento indicando a oficialização ou a finalidade da devolução de parte de seu salário.
DINHEIRO PARA O PL
Sem seguida, Thais Farinha faz um registro que tem potencial para colocar a gravidade da investigação em outro nível: o dinheiro do desvio dos salários era destinado a uma conta de Pessoa Jurídica do próprio Partido Liberal (PL) de Anápolis. A legenda já era presidida por Hélio Araújo.

O então servidor Sidiclei Pereira Santos confirmou em seu depoimento prestado em 02 de abril de 2024 que esteve na reunião ocorrida num sábado na residência de Hélio Araújo. Pereira Santos confirmou o pedido do então vereador de devolução de parte do salário, à razão de “10% a ou 15% de forma espontânea e não obrigatória”.
Sidiclei destaca que não houve de forma explícita a manutenção ou não no emprego com a devolução do dinheiro. Ele, porém, confirma que passou o percentual diversas vezes, através de um PIX para o CNPJ do PL de Anápolis. O ex-servidor da Câmara Municipal afirma não se recordar se os repasses eram obrigatórios, como relato da colega de trabalho Thais Farinha.

Em uma linha de narrativa semelhante a de Sidiclei, a servidora Ana Paula Rodrigues Santos confirma a reunião, os percentuais para repasse e destaca que fazia depósitos mensais de livre e espontânea vontade, sem qualquer tipo de obrigatoriedade, para a conta do PL Municipal. Todos os servidores confirmam que passaram dinheiro de suas contas funcionários da Caixa, de onde recebiam salários, para a conta do PL de Anápolis.
Paulo Sebastião Evangelista seguiu a mesma linha dos colegas anteriores. Ele também confirmou ter doado espontaneamente 15% de seu salário para o partido do vereador. Todos direcionaram a Elber Sampaio como o autor das falas em que há pedido de dinheiro. No entanto, Elber não aparece como beneficiário direto dos depósitos.







