Henrique Morgantini
A Capitã PM Elizete (PRD) atirou no viu, mas acertou no que não viu. Ao votar contra o Projeto de Lei Ordinária 108/2026 (PLO), a vereadora demonstrou que, na Política, sua mira é quase suicida, afinal, seu disparo foi um tiro no pé do marido. Isto porque o PLO enviado pelo Poder Executivo à Câmara Municipal versa sobre a autorização do Legislativo para que Anápolis celebre convênios com municípios do chamado centro goiano em relação à política de tratamento adequado de resíduos sólidos.
Na prática, o PLO era apenas uma oficialização de um procedimento que já vinha acontecendo: diversos municípios enviam seus resíduos sólidos para serem adequadamente tratados na cidade. Com um detalhe: atualmente, Anápolis não recebia nada por isto, agora, com a lei, há previsão legal de cobrança.
O pagamento não é um problema para as cidades, que querem de fato ter segurança jurídica e situação pacificada quanto ao envio do lixo. É um problema a menos para quem não tem um aterro sanitários. Para Anápolis, a regularização é uma vantagem financeira e uma segurança jurídica: a Secretária de Estado de Meio Ambiente (SEMAD) notificou o município sobre a falta de controle destes resíduos e orientou que nenhuma cidade enviasse lixo a Anápolis de forma “indiscriminada”.
ADAILTON
Um destes exemplos é Nerópolis em que o prefeito Luiz Alberto (Republicanos) se reuniu com Márcio Corrêa (PL) a fim de firmar parceria neste sentido. O gestor neropolino ouviu de Corrêa que gostaria de ajudar, mas precisava de uma pacificação legislativa, o que foi resolvido com a lei enviada à Câmara.
Nerópolis é uma das cidades de grande influência de Coronel Adailton (SD). O marido da vereadora aposta nas políticas municipalistas e no apoio de prefeitos de cidades pequenas e médias para buscar sua reeleição. O voto de Capitã Elizete, portanto, foi um “tiro na asa” do discurso do deputado estadual licenciado. Enquanto Adailton promete facilidades, Elizete oferta dificuldades para os municípios.
DESDE 2009
Votaram contra também Fred Caixeta (PRTB), Domingos Paula (PDT) e Rimet Jules (PT). Este último alegou questões ambientais para renegar o acordo que – como dito – já é prática recorrente há anos, desde os tempos em que Antônio Gomide (PT) era prefeito. Um dos acordos feitos por Gomide para assumir o consórcio de prefeitos das cidades circunvizinhas a Anápolis estava justamente este entendimento.
Um quinto nome também não demonstrou muito compromisso estratégico-partidário. Reamilton do Autismo não votou nas duas aferições do projeto em plenário. Ele é do Republicanos, partido de Vivian Naves, que também adota o mesmo discurso municipalista e de boas relações das cidades pequenas. O seu “não-voto” em nada ajuda o projeto de reeleição de sua deputada. Apesar disto, o projeto foi aprovado e, agora, poderá servir como anteparo legal para a SEMAD.






