O publicitário de Anápolis, Pedro Lacerda, tem histórico de atuação em Goiás na área de comunicação e política. Pouco conhecida, no entanto, é sua participação em iniciativas de negócios e articulações comerciais, motivo pelo qual algumas pessoas ficaram surpresas ao vê-lo integrar uma delegação empresarial na Polônia. A programação nasceu da participação na feira internacional “Kids Time”, uma das principais da Europa no setor de produtos infantis, e foi estendida para rodadas de negociação e fóruns de debate, e até a viabilização da reestruturação de uma importante marca polonesa de tratores.
Lacerda diz ter voltado com acordos importantes e oportunidades de exportação de materiais brasileiros diversos, como café, farelo de soja e pellets de biomassa, além da importação de implementos agrícolas de fabricantes polonesas como Metal-Fach, que deve acontecer já no próximo mês.
Não é a primeira investida na Polônia. Entre os objetivos da incursão estavam algumas reuniões e fechamento de parcerias para viabilizar a marca Amazônica Coffee, desenvolvida por ele e mais dois sócios durante a pandemia, que foi desacelerada após o início da guerra russo-ucraniana, países circunvizinhos do território polonês.
A chegada de Lacerda a estes mercados ocorreu por intermédio de uma câmara de comércio formada por empresários poloneses e africanos que visam ampliar as relações econômicas entre a América Latina, especialmente o Brasil, e o Leste Europeu. “O momento é propício por conta do acordo firmado recentemente entre o Mercosul e a União Europeia, que prevê a redução das tarifas de importação para diversos produtos industriais, o que abriu um leque de oportunidades comerciais para ambos os lados”. Embora visto positivamente no Brasil, o novo acordo ainda gera incertezas entre os europeus mais conservadores, motivo que rendeu até participação em um programa da TV nacional polonesa (TVP) para comentar sobre os potenciais benefícios da aproximação econômica entre os blocos.
Além da Kids Time, o centro de exposições Targi Kielce também promove a Agrotech, feira de tecnologia agrícola que acontece nesta semana e abriu mais uma oportunidade surpresa para o representante brasileiro: a proposta de cooperação entre feiras dos dois países, nascida a partir de conversas com Andrzej Mochon, presidente da instituição. “Eles estavam felizes pois é a primeira vez que esses eventos contam com representantes brasileiros. Mas quando o presidente me recebeu em sua sala, eu ainda não fazia ideia do propósito, e foi uma grata surpresa saber que eles estão muito interessados em abrir canais de cooperação com as feiras similares brasileiras. Agora, vamos levar esse diálogo para organizadores de feiras como a Tecnoshow, principal do nosso estado, que acontece em Rio Verde (GO), ou Expodireto ou Expointer, da região Sul, por exemplo”, afirma.
ÁFRICA
Uma das articulações mais relevantes da agenda internacional ocorreu durante visita à última fábrica remanescente da histórica marca polonesa de tratores Ursus, em Chełmno, empresa fundada em 1864 que há décadas já não fabrica mais máquinas, apenas peças de reposição. O encontro resultou na assinatura de um termo de intenção que estabelece as bases para cooperação entre brasileiros e poloneses na criação de um consórcio industrial voltado ao projeto “Tractors for Africa”. “Após algumas horas de negociação, eles toparam redigir, revisar e assinar o documento ali mesmo, durante a reunião. A participação deles é muito importante para nós, pois demonstra a robustez do projeto. Saímos do encontro com o termo em mãos, prontos para avançar para as próximas etapas.”
A iniciativa prevê a utilização da marca Ursus, cuja titularidade legal está atualmente situada no Brasil, para instalação de linhas de produção de algo aguardado há anos: novos tratores Ursus. “A ideia aqui é baseada em três pilares. Produzir tratores adequados para o carente mercado saariano (robustos, duráveis e com custo acessível), com logística facilitada e geração de emprego e renda, já que a produção seria local.”
Com a carta em mãos, o projeto foi lançado durante um painel de negócios no “International African Congress”, promovido pela Faculdade de Gestão e Ciências Políticas da Universidade de Torún. “Ali, reuniram-se representantes de inúmeros países africanos, incluindo membros do governo e embaixadores, e o feedback positivo foi unânime, o que nos deixa ainda mais confiantes em capitanear um projeto tão ambicioso”, pondera Lacerda, que apresentou o painel ao lado de Marcin Obałek.
Obałek é uma personalidade polonesa. Ele se tornou conhecido por dar a volta ao mundo num trator Ursus, além de expedições arqueológicas na floresta Amazônica, e é o sócio local de Pedro nas atividades de exportação de café do Centro-Oeste brasileiro para o leste europeu. “Tudo o que estamos tratando em nível internacional tem, para mim, o Brasil e Goiás como foco, e terá certamente impacto local, o que agora depende também do interesse e esforço de empresários e das nossas autoridades locais para viabilizar o intercâmbio de produtos e tecnologia, e o financiamento desses novos negócios”, aposta Pedro Lacerda.






