“Um sem-teto e migrante: eis a primeira fotografia do nosso Deus feito homem”. Desta forma o bispo diocesano de Anápolis, Dom Waldemar Passini Dalbello destacou a importância da campanha da Fraternidade de 2026, da CNBB – Confederação Nacional dos Bispos do Brasil. O clérigo visitou a Câmara Municipal na manhã desta segunda-feira (16) a convite do vereador Marcos Carvalho (PT).
“O menino-Deus, nascido em Belém na Judéia, antes de ter o aconchego da moradia em Nazaré, nasceu sem teto. E teve por berço uma manjedoura. Logo após, segundo o relato do evangelista São Mateus, o menino-Deus tornou-se um migrante, sendo levado por sua mãe e por José”, discursou.
Dalbello apresentou uma leitura ampla sobre o debate habitacional e a falta de moradia para todos. “Moradia é sinônimo de família”, registrou o bispo, frisando ainda a importância da inclusão neste debate de questões econômicas, envolvendo o sistema financeiro e seus financiamentos, a qualidade de vida, em questões de preservação ambiental e saneamento básico.
“A revelação cristã dá peso à questão da moradia. O inaudito é que Deus quis ter um lar entre nós. O filho de Deus, assumindo a condição humana, veio morar entre nós”, disse.
Dom Waldemar ainda criticou características atribuídas aos tempos atuais, como o “materialismo e individualismo reinantes que nos imobilizam em suas estruturas de mercado”. “É uma denúncia que faço: o materialismo e o individualismo são marcas da idolatria do nosso tempo. E é isto que a campanha deste ano quer ferir”, explicou.
“queremos romper o ciclo da indiferença. A campanha permite que percebemos a invisível população que não tem teto e que está em situação de rua”, criticou o bispo. “Há muito a fazer no processo de urbanização, daí a importância do plano diretor, que o poder público se vê desafiado”, resumiu o religioso.






