Em alta no mercado imobiliário de Anápolis – e nacional – os condomínios fechados são o sonho de muitas famílias. A ideia primária do isolamento é ter segurança. Os colossais e reforçados muros, equipados com uma extensa rede de videomonitoramento, ampliam a sensação de que nada de ruim ultrapassa os limites daquele pequeno feudo. Nos últimos, claro, viver em empreendimentos exclusivos tornou-se também sinônimo de poder aquisitivo, o que por si só já atrai público.
A febre dos condomínios fechados, contudo, levantou um alerta de educadores e psicopedagogos. A pergunta é: crianças criadas num ambiente controlado, saberão lidar com o mundo fora dos reforçados muros e todas as suas diferenças sociais e de comportamento?
O Anápolis Diário fez esta pergunta à psicopedagoga Adriana Cabana, que atua em um hospital infantil. Para ela, ao mesmo tempo que o espaço fechado proporciona maior tranquilidade e liberdade aos pequenos, é preciso que os pais também pensem nas próprias atitudes para melhor criar os filhos. “Se o nosso discurso é de que do lado de fora não temos segurança, podemos transformar nossas crianças em adultos com potenciais fobias sociais”, alerta.
MITOS E VERDADES
Cabana rechaça velhos mitos de que crianças “criadas em condomínios” são diferentes ou menos preparados para viver no convívio social. Para ela, o sucesso ou o fracasso de cada um não nada tem a ver com o local onde crescem e sim com os valores que suas famílias lhe passam.
“Se a mensagem é morar aqui porque é só num condomínio que estamos seguros, de fato, isolamos a criança da realidade. Mas se o nosso discurso é de que moramos aqui porque esse é nosso lugar e podemos usufruir deste local da melhor maneira possível, e que lá fora também existe algo (bom), podemos transmitir aos nossos filhos a escolha de conhecer o “lado de fora” ou não. Precisamos lembrar que criamos nossos filhos para o mundo”, argumenta.
A psicopedagoga lembra que os condomínios contêm normas para manter a ordem entre os condôminos e que os pais podem usar esses exemplos estabelecidos para demonstrar como é a vida em comunidade, ensinando as primeiras noções de civilidade e de boa convivência.
Esse tipo de atitude, diz, é muito importante para a formação desses jovens, principalmente quando eles começam a crescer e passam a ficar na rua sem a presença constante dos pais.
“Cada família deve estar atenta para observar e entender em qual grau de maturidade seu filho se encontra. Pais atentos saberão determinar esse momento com segurança. É claro que crianças ainda dependentes de cuidados pessoais devem ser mais observadas de perto. Talvez o início da adolescência possa ser um momento de aposta em responsabilidades”, indica.
BOOM DO ISOLAMENTO
O mercado imobiliário anapolino voltou-se para um boom de condomínios horizontais a partir da pandemia de Covid-19. Nos últimos anos, foram lançados quase uma dezena de empreendimentos do tipo. Entre os mais destacados estão o Swiss Park Zurich e o Reserva Sunflower, na região Sul, o Petit Trianon, o Versalhes, Nature e o Vinhas na região Leste.
Além do público de alto padrão, também houve lançamentos para contemplar a classe C, como o Casas Bougainville, Casas Flamboyant, Royal Village, Residencial Dijon e vários outros. Eles se somam a unidades de alto padrão que se consolidaram na cidade, como Grand Trianon, Alphaville, Sunflower, Vale dos Pássaros, Belas Artes, Terras Alphaville, AnaVille, entre outros.






