Quem passa em frente ao Centro Administrativo Adhemar Santillo percebe que, a cada dia, falta mais uma peça de cerâmica do gigantesco painel que enfeita a estrutura. As cerâmicas começaram a cair em janeiro do ano passado, seis meses depois da colocação, nas primeiras chuvas depois da entrega da obra. E o prognóstico não é positivo.
O artista plástico Luiz Olinto, que assina o painel, avalia que a solução é refazê-lo. Peça por peça. “Nós não vamos conseguir recuperá-lo. Quando começa um problema em baixo, vai subindo. Ali teria que fazer um trabalho novo e retirar tudo”, disse.
Segundo Olinto, ainda não há um diagnóstico sobre a causa do doloroso desabamento das cerâmicas. As principais hipóteses são o tipo de argamassa utilizada ou o processo de assentamento, além da umidade do local. Ou pior ainda: o problema poderia estar na própria alvenaria.
“A prefeitura tem tentado descobrir. Quando começou a cair, me pediram para recolocar as peças danificadas. Detectamos que estava solto e bastante solto. Junto com a engenharia da prefeitura, não chegamos a uma conclusão. Houve um estudo. Com a cerâmica, não há problema. Pode ser a argamassa, o assentamento com a argamassa, a própria alvenaria. Não chegamos a um acordo. A cerâmica não tem problemas, mas como a queda é grande, dificulta recuperar”, explica.
Uma das possibilidades aventadas por Olinto para salvar o painel sem ter que trocar cada uma das peças – o que demoraria um ano. A ideia dele é utilizar uma Serra Mármore e tentar recuperar o máximo possível a partir da abertura de sulcos na alvenaria.
“O que eu imaginei foi subir numa plataforma e verificar quais cerâmicas estão fofas ou não. Poderíamos assim descobrir e, quem sabe, recuperar a metade para cima. Poderíamos dividir o painel em cinco partes. Passaríamos uma ferramenta abrindo um sulco entre uma cerâmica e outra e a alvenaria. Poderia ser uma solução. Se tiver alguma solta poderíamos recuperar. Acredito que faríamos um trabalho que ficaria bem resolvido”, afirmou.






