Numa postagem do jornal do pertencente ao filho do deputado estadual Coronel Adailton (Solidariedade), o prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa, provocado pelo parlamentar, não titubeou e classificou o deputado de “ladrão de formatura”. Em seguida, continuou ampliando a suposta atuação gatuna do deputado: “honre suas calças, coronel ladrão de farda”.
A pergunta – enigmática para muitos – é: por que um coronel da Polícia Militar de Goiás e deputado estadual foi chamado de ladrão de formaturas? A resposta já foi dada, bem antes da discussão acalorada nas redes sociais.
Em agosto de 2024, o colunista Paulo Capelli, do Portal Metrópoles, publicou com exclusividade o resultado de uma investigação envolvendo o deputado estadual Coronel Adailton em um esquema de corrupção, com propina e tráfico de influência, nos colégios militares de Goiás.
De acordo com o relatório de inteligência, explica Capelli, Adailton Florentino do Nascimento e sua esposa e colega de farda, a capitã Elizete Jacinto, influenciaram promoções de agentes nessas instituições de ensino. À época, Capitã Elizete (PRD) ainda não era vereadora, cargo que assumiu após as eleições daquele ano.

PROPINA
Conforme explicou Capelli, a divisão de Inteligência da PM destaca que Coronel Adailton (Solidariedade) cobrou aproximadamente R$ 5 mil de oficiais para que fossem nomeados diretores dessas escolas. Empossados nos cargos, os militares retribuíam a indicação e faziam doações eleitorais para a campanha do político à Assembleia Legislativa de Goiás.
Os investigadores não especificaram quanto o deputado teria embolsado ao todo, mas mapearam sua influência em pelo menos 19 colégios militares. Essas unidades ficam em Goiânia, Aparecida de Goiânia, Anápolis, Goianápolis, Pirenópolis, Goianésia, Senador Canedo e Jaraguá.
“A interferência do deputado Coronel Adailton e de sua esposa, capitã Elizete, é muito grande. Não se consegue movimentar diretores e há, inclusive, articulação nas vagas de novos alunos oferecidas essas unidades escolares. A escolha dos diretores dos colégios militares passava sempre pelo crivo do deputado estadual”, informa trecho do relatório.

LIGAÇÕES
Segundo os investigadores, Adailton exerceu influência nos colégios militares através do tenente-coronel Luciano Souza Magalhães. Comandante de Ensino da Polícia Militar de 2021 até abril de 2024, Magalhães foi exonerado pelo governador Ronaldo Caiado (PSD) um mês antes de o documento produzido pela Inteligência chegar oficialmente ao gabinete do governador.
Ainda de acordo com o relatório, o deputado recebeu doações eleitorais dos agentes apadrinhados com cargos. Luciano, promovido a tenente coronel em 2022, doou R$ 20 mil à campanha de Adailton, que concorreu à reeleição naquele ano.
“Em 2018, logo que o então tenente-coronel Luciano assumiu a direção do colégio Militar Cezar Toledo em Anápolis, (realizou-se) de maneira expressiva várias solenidades militares que envolviam esses colégios, o que facilitava ainda mais a interferência política do Coronel Adailton e sua esposa Capitão Elizete”, apontaram os investigadores.
Em 2022, o deputado conseguiu renovar seu mandato, pelo PRTB, com 25,6 mil votos. Desde que entrou na Assembleia Legislativa de Goiás, Adailton atuou em defesa dos colégios militares.






