A correlação entre folha de pagamento e orçamento pendeu para um desbalanço nas contas da Prefeitura de Anápolis na última década e meia. O custo com salários e previdência no município saltou de uma média de R$ 23,8 milhões por mês, em 2012, para R$ 66,3 milhões em 2025, o que configura alta de 178%.
Os dados foram compilados em um levantamento feito pelo Anápolis Diário a partir dos comparativos nos números registrados nas Prestações de Contas do Executivo desde 2012 até 2025.
No mesmo período, o orçamento também cresceu, mas em ritmo mais tímido. O avanço das receitas previstas pela prefeitura, na comparação de 2012 com 2025, foi de 144%. Portanto, há um descompasso de 34% entre elevação de custos com pessoal e incremento de receita disponível.
Os dados estão disponíveis nos balancetes apresentados pelas diferentes gestões que estiveram à frente do Centro Administrativo neste período. Todos eles foram submetidos a audiências públicas de prestação de contas – obrigatória por lei – na Câmara Municipal.
Para a comparação, o AD utilizou os valores da folha de 2012 – documento mais antigo disponível e que diz respeito à gestão de Antônio Gomide (PT) – e de 2025, o mais recente publicado, já na administração de Márcio Corrêa (PL).
COMPARAÇÃO
Em 2012, a folha consumiu, ao todo, R$ 285.879.096,40 do erário público municipal, ou seja, R$ 23.823.258,03 por mês. Naquele ano, o orçamento da prefeitura era de R$ 945.566.197,21. Para comparação, em 2025 o orçamento foi de R$ 2.308.150.000,00. A folha de pagamento, todavia, custou R$ 66.307.770,97 por mês e comprometeu R$ 795.693.251,64 das receitas públicas.
Os dados de 2025, apresentados na prestação de contas de Márcio Corrêa, já incluem o reajuste de 4,83% para os servidores públicos municipais e aumento de 6,27% para professores, relativo ao Piso Nacional do Magistério. Ainda não há, porém, informações sobre o impacto do aumento de salários aprovado pelos sindicatos para 2026 – que entra em vigor em março. A prefeitura propõe 4,26% de acréscimo nos vencimentos.
LIMITE
Embora os custos com pessoal cresçam em ritmo maior que as receitas do município, a prefeitura se mantém dentro do limite previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). A LRF limita a 54% da Receita Corrente Líquida (RCL) o gasto com a folha de pagamento de servidores, mas estabelece um parâmetro de 51,3% chamado de limite prudencial.
Em 2012, Anápolis fechou o ano com 46,79% de comprometimento da receita com a folha. Na última prestação de contas, relativa ao primeiro quadrimestre de 2025, o índice apurado foi de 45,5%.
O percentual é apurado em relação à Receita Corrente Líquida (RCL), não ao orçamento. A RCL é um indicador de performance fiscal baseado no que já foi arrecadado, enquanto o orçamento é um instrumento de planejamento legal sobre o que se espera arrecadar e gastar.
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Em 24 anos, Folha de Pagamento consumirá dobro do orçamento municipal, em projeção
Se o ritmo se mantiver, em 2050 a relação de crescimento folha-orçamento será ainda mais desbalanceada. A se considerar a discrepância medida nos números entre 2012 e 2025, de 34%, em 24 anos a prefeitura de Anápolis terá visto o custo com pessoal mais que dobrar em relação à ampliação de receitas.
O cenário pode ser revertido, claro, com ampliação de receitas a partir de um aumento de arrecadação ou reajustes proporcionais ao crescimento do orçamento.
Na última década, Anápolis enfrentou desaceleração econômica e perda de receitas, o que agravou o cenário fiscal. A cidade perdeu espaço no Índice de Participação dos Municípios (IPM), que determina o percentual de arrecadação do bolo do ICMS que será destinado pelo Estado à prefeitura. O orçamento precisou de injeção externa, com a contratação de quase R$ 800 milhões de empréstimo na gestão Roberto Naves (Republicanos), para se manter competitivo.






