No segundo mandato como vereador, o médico José Fernandes (MDB) é o mais cotado entre os pares para o comando da Câmara Municipal no biênio 2027-28. Pela primeira vez, ele admite estar disposto a assumir a Presidência do Legislativo Municipal, mas condiciona o movimento a uma convergência entre os colegas. Fernandes também relembra os momentos de críticas à Saúde na Gestão Roberto Naves (Republicanos), cita melhorias com Márcio Corrêa (PL), mas admite ainda haver gargalos no sistema a serem saneados.
ANÁPOLIS DIÁRIO: Como avalia seu primeiro ano na mesa diretora da Casa?
JOSÉ FERNANDES: Avalio como um ano de mais experiência institucional e de fortalecimento do papel do Legislativo. Atuar na mesa diretora e como vice-presidente exige mais responsabilidade administrativa, diálogo permanente com os colegas vereadores e equilíbrio na condução dos trabalhos. Busco contribuir para que a Câmara esteja focada em pautas estruturantes para a cidade.
AD: Quais são os desafios que a vice-presidência traz para além do mandato de vereador?
JF: A vice-presidência amplia a responsabilidade. Você deixa de atuar apenas na sua agenda legislativa e passa a ter compromisso com o funcionamento institucional da Casa, com a estabilidade dos debates e com a construção de consensos. Exige maturidade política, capacidade de mediação e compromisso com a legalidade e o regimento.
AD: O senhor sempre teve a Saúde como bandeira principal e era muito crítico à gestão anterior nesta área. Considera que houve avanços com Márcio Corrêa?
JF: Sempre fiz críticas técnicas e contribuí na gestão anterior, porque acima de qualquer interesse lidamos com vidas. A Saúde Pública exige responsabilidade. Há avanços, especialmente na organização de fluxos e na ampliação de alguns serviços, e aqui destaco principalmente a assistência durante 24hs por dia, em todos os dias da semana, no trauma ortopédico infantil. Mas ainda temos gargalos importantes, principalmente na média e alta complexidade, na regulação e na resolutividade da atenção básica. E na construção dessas soluções, precisamos consolidar a rede de atenção à saúde em parceria com os outros entes.
AD: Quais são os principais desafios que o prefeito tem na Saúde para os próximos três anos de mandato?
JF: O principal desafio é estrutural: reduzir filas, qualificar a atenção básica para evitar sobrecarga hospitalar e fortalecer a rede de especialidades. Também é fundamental melhorar a gestão de contratos e garantir previsibilidade financeira. Saúde precisa de planejamento, metas e monitoramento contínuo. E sei que a Secretária Jaqueline está trabalhando muito com a sua equipe. Vale ressaltar que a péssima administração anterior causa um impacto negativo relevante até hoje. Por exemplo o faturamento mal feito e outros não feitos de procedimentos executados, comprometendo frontalmente o repasse financeiro do Governo Federal para a nossa cidade.
AD: Logo depois da eleição, o seu nome foi cotado para ser presidente da Câmara num segundo biênio. O senhor almeja estar nesta função?
JF: Meu foco hoje é cumprir bem o mandato que recebi da população. Política exige construção coletiva. Se, no momento adequado, houver convergência e entendimento de que posso contribuir mais nessa função, estarei pronto. Mas não faço política movido por cargo, e sim por responsabilidade.
AD: Além de vereador, o senhor é médico e tem uma agenda apertada. Numa eventual eleição para a Presidência considera possível conciliar as funções?
JF: Sempre conciliei minhas atividades com responsabilidade. A Medicina é parte da minha identidade e me mantém conectado à realidade da população. Qualquer decisão futura será tomada com planejamento, garantindo que nenhuma função seja prejudicada. Se não for possível exercer com excelência, não assumo.
AD: O senhor foi o vereador mais votado na última eleição e já vinha de uma boa votação em 2020. Por que não sair como candidato a deputado estadual em 2026?
JF: Sou grato pela confiança da população. Mas mandato não é trampolim. Estou no início do segundo mandato como vereador e ainda há muito a entregar aqui. Hoje meu compromisso é com a cidade.
AD: Para eleições futuras considera buscar outros voos? Quais?
JF: Na política, os projetos são construídos com base em resultados e confiança popular. Não descarto crescer, mas isso será consequência natural do trabalho, não um objetivo imediato. O foco é fazer um mandato técnico e coerente. O futuro será definido no tempo certo, sempre em sintonia com a população anapolina e nos planos de Deus na minha vida.






