No papel, a ideia está longe de ser ruim. Aliás, facilmente é possível aplaudi-la como um grande passo em direção à Cidadania e o avanço na qualidade do atendimento em Saúde Pública. Só que o projeto de lei apresentado pelo vereador Suender Silva (PL) não para em pé dentro um cenário chamado… realidade.
O vereador – que é presidente da Comissão Municipal de Saúde – apresentou um Projeto de Lei Ordinária que cria o “Programa Municipal “Saúde em Casa”, cujo principal objetivo é promover atendimento domiciliar a pessoas com mobilidade, reduzida, idosos, acamados e demais segmentos que, por alguma razão, não consigam se deslocar a um hospital público.
Dentro de uma realidade municipal em que o prefeito Márcio Corrêa, que é do mesmo partido do vereador (embora não pareça!), luta diariamente para dar qualidade e fluidez na demanda por atendimento nas unidades de Saúde da cidade, a proposta soa como provocação de oposição.
Afinal, para por em prática a ideia do parlamentar, ele propõe a “criação” de equipes multiprofissionais (sim, no plural), compostas de médicos, enfermeiros, técnicos em enfermagem, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos, assistentes sociais, e “outros profissionais conforme necessidade do paciente”, destaca.
FANTASIA
O termo criação, entre aspas, se faz necessário uma vez que se as equipes não se criam a partir de um papel com um projeto digitado, elas precisam ser realocadas da rede, onde prestam atendimentos nos hospitais e postos de Saúde ou, ainda, contratadas.
Mas, como o vereador demonstra não ter compromisso com a execução do projeto – o que torna o projeto com vício de origem, já que não explica de ontem viria tal investimento – ele sequer menciona como inserir este investimento extra no orçamento municipal.
Este é o indício principal de que o projeto não foi feito para melhorar a vida dos anapolinos, mas somente para render um discurso de pequeno expediente e dois ou três vídeos para rede social.
“O Poder Executivo poderá firmar parcerias e convênios com instituições de ensino, hospitais, organizações da sociedade civil e entidades filantrópicas para execução e ampliação do Programa”, diz o texto.
VEREADOR MARIA ANTONIETA
Na visão simplória do projeto, se não tem médicos e demais profissionais o bastante para atender, é simples, que se contratem mais. É a mesma logica de defender a falta de dinheiro da população sugerindo que se imprima mais dinheiro lá na Fábrica da Moeda.
Com retoques de vereador Maria Antonieta – a quem se atribui a frase “se não tem pão, que comam brioches”, Suender deve pensar que deu jeito na superlotação vista em algumas unidades. “Que se tratem em casa, nossos médicos vão até lá”, insinua seu projeto.
Diante dos projetos apresentados e do comportamento do parlamentar, é cada vez mais fácil desconfiar que o vereador – que é servidor da Polícia Federal – pode ser na verdade um agente de oposição do prefeito vivendo um disfarce de aliado. Baita missão do agente!






