“Complementou que as primeiras observações que foram verificadas pelo Sr. William foi a questão da jardinagem, no qual foram pagos aproximadamente R$ 200.000,00 (Duzentos mil reais) em uma quantidade pequena de meses, o que representaria uma média de R$ 10.000,00 (Dez mil reais) por mês (…) e explicou que no condomínio onde atua, mesmo que seja um condomínio menor do que o Torres do Mirante, eles arcam com aproximadamente R$ 10.000,00 (Dez mil reais) anuais, assim, a partir deste momento iniciaram-se as apurações”.
Este é o trecho da ata do condomínio Torres do Mirante que foi homologada pela Justiça de Goiás em duas instâncias, sendo reconhecida como válida como instrumento de investigação e destituição do cargo do síndico Randerson Aguiar (PL).
Em outro trecho, as suspeitas avançam sobre as relações do síndico com empresas contratadas. “A empresa que possuI o contrato de serviços de jardinagem atualmente nunca prestou esse serviço ao condomínio, sendo essa informação verificada através de filmagens, conversas com outras pessoas, observando diariamente qual o prestador de serviço que estava executando o serviço”.
Mais à frente, os moradores identificam ações suspeitas com relação à limpeza e coleta de lixo. “Também observaram que havia um valor alto para coleta de lixo, uma quantidade pequena de lixo para o valor cobrado na nota fiscal. Porém, quando verificado o contrato, era da mesma empresa que executa a jardinagem”, atesta o documento.
Ao verificarem a empresa responsável pelas ações, um susto: o CNPJ da empresa que estava recebendo os tais valores tinha “um vínculo com o síndico”. A empresa citada é a “Cia Log” que, segundo confirmaram os condôminos, foi fundada pela “esposa do síndico e, depois, verificaram que houve um requerimento de alteração contratual na Junta Comercial para a inserção de um novo administrador para a empresa”.
Por fim, a informação que parece ser o tiro de misericórdia nas suspeitas: a caminhonete que o síndico usa, estacionada em sua garagem, está “no nome do desta empresa”. Questionado por moradores, Randerson afirmou – conforme registro em Ata. “Questionado, o síndico, em meio a todas as respostas evasivas, disse que ‘esse ato de fornecer o jardineiro não é considerado ilegal’”, registra o documento.
MESMO ENDEREÇO
O Anápolis Diário apurou que a empresa Cia Log está no nome de Clenilson Jesus Pinto. Ele é também proprietário da empresa “Cia Agro”, cuja razão é Cia Agrofert Export. A empresa está localizada na Avenida Brasil, altura do setor Jamil Miguel.
O grupo de moradores, por sua vez, aponta que o sócio atual é Robson Ferreira. “É advogado de longa data do síndico. É funcionário público e consta como administrador nas duas empresas”, afirma uma residente do Torres do Mirante.
Acontece que no mesmo endereço, inclusive com o mesmo número, também funciona outra empresa cujo nome é igualmente Cia Agro. A razão social desta empresa é, também, “Cia Agrofert”, mas com o final “Mineração”. E esta empresa, irmã gêmea bivitelina da empresa suspeita não está no nome de Clenilson, mas sim do síndico Randerson Aguiar e de Kenia Martins de Souza Aguiar.







