“Roberto nos comunicou que não é candidato. Eu acho que ele deveria ser, mas isso desanimou todo mundo”. Assim descreveu o ex-vice-prefeito de Anápolis, Marcio Cândido (PSD), sobre a conversa que teve com o ex-prefeito Roberto Naves (Republicanos) em sua festa de aniversário, ocorrida na última segunda-feira (26). O pastor evangélico conversou com o Anápolis Diário sobre os bastidores políticos do grupo que ajudou a unir nos últimos oito anos.
“O próprio Domingos quem comentou comigo que, caso Roberto não fosse candidato, estudaria lançar uma candidatura para ocupar este espaço vago”, destaca Cândido. A afirmação vai ao encontro do que já havia dito o vereador do PDT, que revelou que sua intenção de bancar uma candidatura só ocorreu após a comunicação do aliado de não ser candidato.
O ex-vice-prefeito e outros aliados de Roberto Naves foram inseridos em meio a uma polêmica criada pelo próprio ex-prefeito que, em entrevista em Goiânia, chamou de “boato” a informação que ele mesmo havia prestado aos parceiros políticos. Além de Cândido, os vereadores Luzimar Silva (PP), Domingos Paula (PDT) e Thaís Souza (Republicanos) presenciaram a conversa e foram vítimas do tal “balde de água fria” que desanimou a todos.

CONFIANÇA
Para o pastor assembleiano, Naves deveria manter o projeto até mesmo para assegurar o comando do Republicanos em Goiás. “Roberto deveria ser candidato”, diz. Cândido analisa dois nomes como possíveis herdeiros políticos do espolio eleitoral de Naves.
“O primeiro seria este que vos fala. Como vice dele, demonstrei fidelidade e diálogos com setores políticos importantes”, diz, já adiantando que não quer “mexer com eleição”. “Nunca vou deixar a política, mas temos de ler o momento e o cenário não é favorável”, observa.
Segundo ele, haveria dificuldades em bancar um acordo político com seu segmento de atuação. “Além de termos vários candidatos e outros já eleitos dentro da minha congregação, a Assembleia de Deus, preciso dizer que a igreja não confia no Roberto. Eu confio no Roberto, mas a igreja, não”, revela.
OUTRO NOME
O outro nome ideal – de acordo com Cândido – para ocupar o espaço na cédula eletrônica a ser deixado por Roberto Naves é a vereadora Thais Souza. “É mulher, já tem o “cheiro” da Direita porque andou com Victor Hugo e defendeu pautas da Direita e tem bandeira definida, que é a luta pelos animais”, explica o ex-vice.
Márcio Cândido relembra dos momentos que o fazem ter gratidão pela trajetória construída ao lado do ex-prefeito anapolino. “Tenho gratidão ao Roberto. Ele quem me inseriu no cenário político. Antes me viam como um mero cabo eleitoral, ele me viu como possível candidato de chapa”, afirma para, depois, destacar alguns dissabores como a negativa do ex-prefeito em lançá-lo como candidato a prefeito em 2024. “Eu poderia fazer este debate”, garante. “Mas não largo ele na chapada porque temos uma história juntos”, resume.
FESTA
Presente na festa realizada no espaço de eventos do empresário de shows Werlan Moura, Márcio Cândido destacou o luxo e a fartura do evento, que contou com diversos shows sertanejos e da banda de pop rock Mr. Gyn. “Comi pra caramba”, revela. O evento restrito a convidados ocorreu na noite do dia 26, plena segunda-feira.
Mas o aliado de Naves faz um contraponto de ordem política-eleitoral. “Eu adorei, tive de sair mais cedo, mas vi que tudo estava ótimo. Mas com o dinheiro que ele gastou na festa, eu faria um arroz carreteiro lá no [Setor] Laranjeiras e um discurso mostrando que nós salvamos aquele lugar de ser a primeira favela de Anápolis”, concluiu o pastor.







