As atividades plenárias da Câmara Municipal de Anápolis estarão de volta na próxima segunda-feira (2) e com muito a se debater. O eixo de desenvolvimento do município está no centro da discussão e é preocupação da unanimidade dos vereadores ouvidos pelo AD.
O Plano Diretor (PD) é a carta magna do desenvolvimento urbano e está numa fase crucial de revisão e atualização. Como o estatuto da cidade prevê revisões a cada dez anos e a última grande atualização ocorreu em 2016, o município deve promulgar o novo texto este ano.
A presidente da Casa, Andreia Rezende (Avante), reconhece o PD como prioridade. “Este ano temos como prioridade duas ações aqui na Câmara Municipal: o Plano Diretor, que estabelecerá caminhos para solucionar problemas históricos e fortalecer o desenvolvimento urbano da cidade de maneira ordenada e sustentável; e uma ação sólida de enfrentamento aos problemas de Anápolis. Estou certa que a aprovação do plano de diretor e as leis correlatas será um dos maiores levados dessa legislatura”, disse.
Decano da Câmara, Jakson Charles (PSB) aponta que dentro do Plano Diretor é preciso se incluir um texto mais robusto com exigências para encarar um problema histórico da cidade: a drenagem urbana. “Passou da hora de a gente discutir a drenagem da cidade. É uma deficiência enorme. Precisamos disso para melhorar a vida das pessoas”.
O vice-presidente da mesa diretora, José Fernandes (MDB), diz que a discussão sobre o Plano Diretor não caminha sozinha. “Seguiremos atentos a temas como mobilidade urbana, saúde pública que tem muito a ver com a nossa atuação, desenvolvimento econômico e equilíbrio fiscal, sempre com responsabilidade técnica e diálogo com a sociedade”, frisa.
Que o Plano Diretor é prioridade governo e oposição concordam. O líder do prefeito Márcio Corrêa (PL) na Câmara, Jean Carlos (PL), aponta que a discussão é fundamental e recai também aos pormenores, como o debate sobre o aterramento da fiação. “E obviamente esperamos que possamos avançar na implementação das políticas públicas, em relação, por exemplo, ao Programa Construindo Sonhos e uma série de dispositivos que possam contemplar o Plano de Governo Municipal”, completou.
Rimet Jules (PT) teme que o debate sobre as diretrizes urbanas se apequene se não houver endosso popular no processo. “O Plano Diretor é uma agenda fundamental, mas só terá o destaque necessário se a gente conseguir envolver as lideranças civis, a população, em torno deste debate. Se for um projeto atabalhoado, de atropelo, não vai ter a relevância que merece”, destaca.
Ainda no ano passado, a Câmara Municipal instalou uma Comissão Especial, em outubro, para iniciar os debates e garantir a participação popular na elaboração do novo plano. Muitos dos pontos polêmicos devem permear, por exemplo, o aumento do perímetro urbano. Drenagem e áreas de proteção ambiental também são pontos sensíveis.
Bandeiras de mandato
As bandeiras de mandato, claro, também estão presentes. A presidente Andreia Rezende, em nome da Casa, reafirma o papel fiscalizador do legislativo. E parlamentares de oposição também prometem manter o olhar firme para as ações da administração.
“Há uma falta de planejamento do prefeito para resolver problemas da cidade. Desde os simples, como zeladoria, iluminação às demandas mais graves, como o caos na saúde, a fila de cirurgias”, cita Rimet Jules.
Domingos Paula (PDT) vê a oportunidade de cobrar da gestão a conclusão de obras que restaram do programa Anápolis Investe. “Da minha parte, a prioridade é resgatar essas obras que estão perto da conclusão, em relação à educação e à saúde. Vou fazer esse trabalho de deixar claro para a população que deixar do jeito que está é rasgar dinheiro”, revela.
Uma das representantes da causa animal, Thaís Souza (Republicanos) vai intensificar cobranças pelo retorno do Castramóvel e outras políticas públicas de castração e cuidado com os animais. “A expectativa que seja melhor que ano passado. Principalmente na minha bandeira da causa animal. Mas, claro, na saúde, educação”, pontua. “Esperamos união dos vereadores juntamente com a força da presidência e com o executivo para termos avanços”, completa. A vereadora Seliane Santos (MDB) também foi procurada, mas não retornou o contato.
De olho na eleição
O ano também é eleitoral e, claro, parte dos vereadores serão candidatos. Quem não for, estará n’algum palanque. Para a presidente da Câmara, há maturidade dos pares para respeitar o voto do eleitor e sessões esvaziadas não serão um problema.
“Essa é uma questão que temos dialogado com os vereadores, mas acredito que os 23 vereadores possuem respeito e compromisso com o eleitor e não acredito que teremos sessões esvaziadas, visto que cada um tem como prioridade devolver a seu eleitorado o voto de confiança com trabalho e respeito. Inclusive, mesmo na última eleição que era municipal, vimos os vereadores com compromisso com os mandatos e os trabalhos legislativos”, ponderou Rezende.
O vereador Jakson Charles, por outro lado, se preocupa com os rumos do debate. O primeiro ano da nova legislatura já foi marcado por vários episódios de nacionalização da tribuna. O decano teme uma intensificação deste processo com a coincidência do novo ano legislativo com a eleição presidencial.
“Minha preocupação é a Câmara começar a tratar de assuntos de âmbito nacional e esquecer de problemas da cidade. A minha preocupação é que o foco seja desviado dos problemas da cidade e comecem a debater questões nacionais, que na sua maioria não contribuem com avanços para a cidade”, adverte.






