Dois dos três últimos prefeitos de Anápolis justificaram a queda da cidade no ranking das maiores economias de Goiás, e a queda da participação do município no PIB goiano. Dados divulgados pelo IBGE indicam que entre os anos de 2010 e 2013, o PIB de Anápolis caiu 40%. Roberto Naves (Republicanos), que governou a cidade entre 2017 e 2024, e João Gomes (PSD), responsável pelo comando entre abril de 2014 e dezembro de 2016, opinaram que o resultado mais se deu pelo avanço de outros setores da Economia – como o agronegócio – e o avanço econômico de outras regiões do estado, do que necessariamente de uma estagnação anapolina.
Procurado pela reportagem, Antônio Gomide (PT), prefeito entre 2009 e 2014, não respondeu aos questionamentos. O hoje deputado estadual se recupera de um acidente automobilístico e ainda não está participando das atividades políticas de seu mandato.
Gomes, que é do ramo empresarial, vai além e diz que o cenário se desenhava já no início dos anos 2000, quando a cidade deixou de viver o ‘boom’ econômico da implantação do Daia. Ele, porém, destaca: “Anápolis não encolheu. Os outros municípios é que cresceram. Assim, nossa participação ficou menor. A matemática é simples”.
Na avaliação de Naves, Rio Verde teve seu salto nos últimos anos favorecido pela alta demanda por produtos do agronegócio, que também ganhou espaço no PIB nacional. “O estado de Goiás representa o agro. Anápolis não deixou de crescer. Continuou crescendo. No Brasil, a industrialização não cresce na mesma velocidade que o agro cresce. Quando eu comparo indústria com o agro, o agro cresce muito acima. Anápolis é industrial e por isso cresceu menos”, avaliou.
O ex-prefeito do Republicanos argumenta ainda que em território anapolino “não falta emprego, as empresas não fecham e estão bem estabelecidas”, embora reconheça a necessidade de “sempre ampliar e buscar mais empresas”.
Ambos concordam que o avanço de Aparecida de Goiânia se deu pelo trabalho de implantação de distritos industriais municipais, mas há uma ressalva. “Aparecida foi procurada quando a capacidade de instalação em Goiânia já estava menor, quando as áreas estavam quase exauridas”, pondera Roberto Naves.

TENTATIVAS
João Gomes e Roberto Naves, ao sentarem na cadeira, se depararam com o problema. Mas o que fazer para Anápolis crescer? Cada um tinha aposta. A de Gomes foi um projeto para montar um distrito industrial do próprio município, apresentado na eleição de 2016, mas que com a derrota dele no segundo turno jamais foi levado adiante.
“Anápolis precisa criar novos distritos levando em consideração a outras vocações, entendendo que pequenas e médias empresas também contribuem para a economia”, disse.
E foi com a mesma ideia de João Gomes que seu sucessor, Roberto Naves, planejou o Politec. O polo foi pensado para receber indústrias inteligentes e diversificar a matriz econômica da cidade.
“Seria um distrito industrial ecologicamente correto. A ideia era criar um polo moveleiro, mexer com móveis ou confecção e deixar para o Daia as indústrias ‘pesadas’, de automóveis, farmacêutica, ferro e outros. (O Politec) Era para fomentar crescimento de indústrias. Fortalecer o comércio ao mesmo tempo”, destaca.






