Todo radicalismo tem potencial suicida.
É o tipo de comportamento que, literalmente, é capaz de matar. Haja vista as milhares – talvez milhões – de pessoas que morreram durante a Covid-19 por conta da convicção de que vacinas eram instrumentos de dominação e faziam mal à Saúde. Ou, no melhor dos mundos, ineficazes. Houve ainda aqueles que simplesmente chamaram a doença de “gripezinha” e hoje são ausências nos natais em família, presente em tristes porta-retratos.
Na tarde da última sexta-feira (16), enquanto vereadores da base do prefeito Marcio Corrêa e da oposição se reuniram num mesmo palanque para celebrar um grande avanços para a Saúde Pública, com o início da construção da Policlínica do Adriana Parque, uma ausência institucionalmente importante foi notada.
O presidente da Comissão de Saúde da Câmara Municipal, vereador Policial Federal Suender (PL) optou por não comparecer ao evento mais importante da área de atuação da comissão que preside. Isto porque no palanque, além dos colegas de Câmara, estavam representantes do Ministério da Saúde do Governo Lula e deputado federais do PT.
Junto a eles, também deputados e representantes políticos bolsonaristas e o próprio prefeito, que é de seu partido. É preciso frisar que Política é gesto. Suender demonstrou com seu gesto que coloca suas convicções radicais de ultradireita acima da Saúde da população e do avanço do atendimento em especialidades pelo Sistema Único de Saúde.
Assim, Anápolis aprende que há um verbo para quando algo se torna tão radical a ponto de perder seu sentido e até mesmo fazer mal: é o verbo “Suendar”. Por sorte e racionalidade, a suenderização ficou limitada ao seu criador, enquanto lideranças políticas até mesmo com convicções semelhantes a dele, presidente da Comissão de Saúde, demonstraram ter um limite: a racionalidade.
Afinal, ao contrário do que pregam os antivacinas, é melhor estar vivo do que morrer maldizendo de vacinas e outros avanços da Ciência que permitem, por exemplo, comprovar que a Terra é Plana.
E ela é, sim, plana.
A Câmara Municipal precisa rever com urgência a posição da Presidência da Comissão de Saúde sob o risco de ver um instrumento tão importante para o Legislativo e para o povo se perder completamente por força de um radical-suicida político.
É preciso cuidado para não suenderizar o debate da Saúde no Poder Legislativo de Anápolis. Quem tende a perde é a população que espera mais Saúde, mais qualidade de vida e mais civilidade entre seus representantes.






