Por Henrique Morgantini
Em um mesmo palanque estavam reunidas as lideranças políticas de PT e PL. Da mesma forma, na plateia, os aplausos, que começaram tímidos, passaram a ser efusivos para as ações e menções ao presidente Lula (PT) e ao prefeito Márcio Corrêa (PL). Assim, o que era para ser um evento estritamente formal de lançamento da importante obra da Policlínica do Setor Adriana Parque, tornou-se um encontro político, criando um clima amistoso em que sobraram trocas de elogios e agradecimentos.
Se nas eleições de 2006 o eleitor de Goiás criou instintivamente uma chapa improvisada e informal denominada “Luma”, com Lula para Presidente e Marconi Perillo para Governador, agora – 20 anos depois – a cidade viveu uma tarde de “Lumar”: Lula e Márcio Corrêa.

AFAGOS
Enquanto o deputado federal Rubens Otoni (PT) se derreteu em elogios para o prefeito anapolino e sua equipe, que “mostraram competência para permitir a viabilidade dos investimentos do Governo Federal”, Márcio Corrêa não ficou para trás. O gestor anapolino, filiado ao PL, não ficou para trás. Corrêa justificou a harmonia entre o seu grupo ali presente lado a lado com integrantes da plateia ostentando bonés de “Lula – o Brasil feliz de novo” fazendo uma analogia com a “Ponte de Souzânia”, em referência ao distrito anapolino.
“Em Souzânia tem uma ponte que liga o nosso distrito à Serra do Mizael. Sempre esteve lá e ninguém nunca ligou. Mas quando ela rompeu, todo mundo deu falta e percebeu a importância dela. Sem a ponte não conseguimos chegar a Serra do Mizael. O que estamos fazendo aqui nesta tarde é construindo esta ponte: sem ela não conseguimos chegar aonde queremos”, discursou.
Márcio Corrêa ainda agradeceu com efusividade o Governo Federal – tomando a prudência política de não citar o nome de Lula – mas citou o nominalmente um petista de quatro costados, o Ministro da Saúde Alexandre Padilha, e da equipe do Ministério da Saúde ali presente.
Ao fim do evento que marcou a construção de uma obra com potencial para transformar a Saúde Pública no atendimento a especialidades, vereadores da base e de oposição distribuíram sorrisos como se santinhos fossem, com alegria e leveza.
SEM L, SEM ARMINHA
É fato que ninguém espera ver Márcio Corrêa “fazendo o L”. Mas a ala mais terraplanista e antivacina da Ultradireita Anapolina pode ter perdido um pouco da esperança de ver Márcio Corrêa, enquanto prefeito, falando em “ditadura da esquerda” e outras alucinações e “suenderizações” típicas dos dias mais mesquinhos de discursos de pequeno expediente de Câmara Municipal.
Ao final, Márcio Corrêa listou mais de R$ 200 milhões em obras na Saúde que vão atender cristãos, ateus, umbandistas, lulistas, bolsonaristas, cidadãos de bem ou quase, enfim, os cidadãos anapolinos que só esperam da gestão pública uma única coisa: resultado e mais qualidade de vida.






