Eleito em uma chapa liderada pelo PL com presença maciça de Jair Bolsonaro durante a campanha, o médico Walter Vosgrau (PSD) estava se sentindo nas nuvens. Afinal, o cardiologista, que ganhou notoriedade política ocupando a vice de um candidato do PL e enaltecendo pautas bolsonaristas, além do próprio Jair Bolsonaro (PL), defendia com facilidade toda a cartilha da extrema-direita.
Só que, agora, ao mudar de partido, Vosgrau começa a ter dificuldades para sustentar se é mesmo “bolsonarista raiz” ou se é Nutella. Isto porque na nova casa, já teve de passar por alguns constrangimentos.
Um deles foi durante um culto em uma igreja evangélica em que viu o presidente de seu partido, Vanderlan Cardoso, promover ataques ao PL e à extrema-direita bolsonarista.
Testemunhas oculares revelam que Vosgrau fez a famosa “cara de paisagem” e fingiu que não estava prestando atenção. Em seu momento de fala, não rebateu e quem tentou “amenizar” em nada o que foi dito pelo chefe partidário.
Aos poucos, o médico que sonha em construir um projeto para deputado estadual baseado no discurso bolsonarista mais tradicional, por assim dizer, começa a ter de conviver com posturas de centro e até centro-esquerda.
A mais recente publicação do senador Vanderlan Cardoso tem potencial para fazer Vosgrau esquecer do dia que tentou nomear a mulher sua assessora. Ao lado da nova presidente do Partido Socialista Brasileiro (PSB), Vanderlan Cardoso garantiu que o momento é de diálogo e que “pontes estão sendo construídas”. Pelo visto, em breve, Walter Vosgrau terá de escolher se vai ou não atravessar esta ponte de Vanderlan com um partido socialista.
Vosgrau tem no discurso bolsonarista e na popularidade de Márcio Corrêa (PL) junto aos grupos de extrema-direita um caminho atalhado para sonhar com uma cadeira na Assembleia Legislativa. Mas, cada passo de Vanderlan em direção ao centro, principalmente ao centro do poder federal, ele vai ficando mais distante de pavimentar seu caminho.






