O segundo ano da administração do prefeito Márcio Corrêa (PL) não tende a ter menos desafios que o primeiro. Depois de um início de maior comprometimento com as contas públicas e obras de menor monta, como nos trevos do Ayrton Senna e do Recanto do Sol, 2026 traz novos e velhos gargalos.
Para o ano que acaba de nascer, a saúde continua em voga, embora sem os contornos dramáticos que marcaram o clamor público nos últimos anos. Depois da abertura do Hospital Municipal Georges Hajjar, ainda é um desafio organizar a rede para entregar atendimento de maior qualidade. Também se espera uma definição sobre como funcionará o antigo Hospital Jamel Cecílio, que já foi cotado como UPA da Mulher, UPA Central e até hospital infantil, mas segue fechado.
O maior e talvez mais importante gargalo a ser endereçado é a drenagem urbana. No ano passado, o governo federal confirmou a destinação de R$ 336 milhões para obras voltadas a dar fim a um problema histórico de Anápolis. No eixo Prevenção a Desastres do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), já há garantidos ao município R$ 272.458.852,42 para obras de drenagem e outros R$ 63,6 milhões para a contenção de encostas.
Historicamente, no período chuvoso, diversos bairros sofrem com inundações. Em 2022, na região central, três pessoas morreram afogadas depois que o carro em que elas estavam foi arrastado pela força da água da chuva para o Córrego das Antas, na Rua Amazilio Lino. Em 2023, o então prefeito Roberto Naves (Republicanos) apresentou um Plano de Macrodrenagem, elaborado pelo renomado ambientalista Antônio El-Zayek, que contém obras de curto, médio e longo prazo, mas o projeto fez raras intervenções que não modificaram o cenário.
Na infraestrutura o prefeito ainda espera entregar o Viaduto do Recanto do Sol, provavelmente a obra mais aguardada dos últimos 15 anos em Anápolis. A expectativa inicial da gestão era entregá-la em julho do ano passado, mas o prazo foi ampliado após a queda de um dos muros de contenção. Enquanto isso, a administração atuou para aliviar o tráfego sob o viaduto já existente, na confluência das BRs-153 e 414.
Outro grande desafio para qualquer cidade que, como Anápolis, tem rápido crescimento demográfico é ampliar o acesso à educação infantil. O compromisso de Corrêa é em zerar filas por novas vagas. Em 2025, a gestão abriu espaço com a implantação de salas modulares, mas o número ainda é insuficiente diante da demanda.
Finanças
Márcio Corrêa deve tirar um pouco a ‘corda do pescoço’ em relação às finanças públicas, mas não significa que será um ano fácil. O município ainda não conseguiu renegociar, como quer o prefeito, o financiamento de mais de R$ 700 milhões que começou a ser pago em janeiro passado. No entanto, em dezembro ele anunciou economia de mais de R$ 300 milhões, o que abre espaço para vislumbrar dias mais calmos.
Novos investimentos, é claro, dependem de uma situação fiscal saudável e a principal aposta é colocar o índice Capag (Capacidade de Pagamento, da Secretaria do Tesouro Nacional) novamente B, o que garante melhores condições de pagamento para contratações de crédito.





