O relatório do IBGE referente ao Produto Interno Bruto (PIB) de Anápolis derrubou um dos grandes motivos de orgulho do anapolino. Inserido no discurso de parte da população a partir da repetição em discursos político-eleitorais, a posição de Anápolis como segundo maior PIB de Goiás caiu por terra, bem como o protagonismo do município na economia do Estado.
O que o relatório mostra é que o PIB de Anápolis nunca “caiu”. Esta informação, mais do que jogo de palavras, foi uma verdade usada de forma a mascarar o que realmente estava acontecendo. Ao comemorar ano a ano a subida dos valores do PIB anapolino, gestores públicos, políticos em geral e segmentos do setor produtivo celebravam, na verdade, a desaceleração da Economia anapolina.
Afinal, a produção econômica se elevou ano a ano, saltando por exemplo de R$ 17,8 bilhões em 2021 para R$ 20,4 bilhões. Informação como esta, que é verdadeira, tornou-se uma forma de “enganar” a realidade e vender uma noção equivocada de competitividade.
Isto porque, uma vez contextualizado no cenário regional, o PIB de Anápolis apontava para uma forma desaceleração: enquanto outros municípios cresciam numa proporção muito maior, Anápolis diminuía sua pujança econômica e, com isto, sua capacidade de disputar posições.
“SANTO DAIA”
A queda da segunda para a quarta posição no ranking do PIB goiano mostra que por décadas a cidade viveu de uma grande e revolucionária ideia: o DAIA. Criado em 1971 e inaugurado em 1976, o distrito representou um marco na industrialização do município.
Com a recorrente vinda de grandes empresas e a instalação de projetos locais que foram ganhando corpo, o Daia foi sendo preenchido e dando a sua contribuição para o desenvolvimento econômico e crescimento do PIB.
Só que esta ideia de quase 50 anos que rendeu tanto protagonismo ao município se esgotou. As áreas seguem disponíveis nas mãos de especuladores há décadas. Empresas que desejam se instalar na cidade visitam o Daia, identificam áreas descampadas para só depois descobrir que, apesar de desabitadas, estão longe de estarem livres.
Ainda com este cenário, o Daia continuou “segurando as pontas”. Enquanto Aparecida e Rio Verde cresciam com projetos municipais de industrialização, o discurso local ficou na demagogia política e escorando na tal “segunda maior economia de Goiás”. Agora, a verdade saltou aos olhos e ruiu qualquer argumento.
A queda de competitividade de Anápolis talvez sirva para uma mudança de postura em relação às políticas de industrialização e atração de investimentos externos. E, quem sabe, facilitar o que há tempos é necessário ser feito: a moralização jurídica e operacional das áreas descampadas, mas “ocupadas” no Daia, que já impediram inúmeros projetos de prosperar na cidade.






