Anápolis é decisiva nas eleições. Esta é uma máxima da política goiana que ficou consolidada no período de auge do Tempo Novo, liderado por Marconi Perillo, quando a cidade chegou a dar mais de 70% dos votos ao tucano. Era senso-comum afirmar que o município era quem apadrinhava as eleições e reeleições do grupo tucano.
Agora, além do natural peso de decisão com seus mais de 293 mil eleitores (registrados em 2024), há ainda o componente “Márcio Corrêa”. O atual prefeito da cidade mantém laços próximos com os dois principais grupos políticos do Estado que disputam a eleição. E pode abrir diálogo com um terceiro e complicar – ou resolver – a intrincada equação das eleições de 2026 no Estado.
Nos bastidores municipais, é forte a corrente de pensamento de que o prefeito, mesmo com ligações antigas e fortes com dois dos três principais nomes, deverá propor uma espécie de “sabatina” com os postulantes a inquilinos do Palácio das Esmeraldas.
A ideia, conforme antecipou um nome ligado ao gabinete, é ver “quem dá mais para Anápolis”.
“Não vai ter cabresto e nem mesmo um “pacote” na qual vão inserir a cidade, seja por afinidade ou compromisso partidário. O prefeito sabe que o futuro político dele depende do sucesso da sua gestão e isso para diretamente pelas parcerias com o futuro governador”, disse, em condição de anonimato ao Anápolis Diário.
PROXIMIDADE
Márcio Corrêa é integrante do PL, de Wilder Morais, atual presidente da legenda e terceiro colocado nas pesquisas eleitorais. O caminho natural de hoje seria Corrêa somar esforços pela campanha de Morais. Só que o prefeito anapolino tem relações históricas com o atual vice-governador Daniel Vilela (MDB), de quem é amigo há décadas.
Corrêa era presidente do MDB municipal até saber que a legenda não daria a ele o direito de ser candidato à Prefeitura de Anápolis no primeiro trimestre de 2024. A saída do então suplente de deputado foi encontrar nova legenda e então foi abraço pelo PL. Portanto, é possível imaginar cenários distintos para a futura participação de Márcio Corrêa na corrida eleitoral de 2026.


PERFIS
Mas a situação de Anápolis não para por aí. Tanto Márcio Corrêa como Marconi Perillo (PSDB) são habilidosos no diálogo político. Não são o tipo de político que fecham portas quando o assunto é montar um acordo eleitoral. Além disto, é fundamental rememorar que Anápolis já foi o grande oásis eleitoral de Marconi Perillo e é dado como certo que o ex-governador tucano irá buscar o caminho do diálogo com o prefeito.
Perillo não precisa de Corrêa para entrar em Anápolis, mas tendo a contribuição do atual gestor, o caminho torna-se obviamente bem mais fácil. O mesmo ocorre com Wilder, que se apoia na febre bolsonarista para angariar votos anapolinos.

CASO VICUNHA
A situação difere e muito com Daniel Vilela. O emedebista carrega na memória popular do anapolino a carga negativa da passagem do pai, Maguito Vilela, durante o Governo de Goiás. Atribui-se a Maguito ações que prejudicaram a cidade, uma delas personifica o problema: o fechamento da Fábrica Vicunha na Jaiara.
Prova disto é que Maguito e outros emedebistas sempre tiveram dificuldades de entrar na cidade, principalmente depois que Marconi Perillo abraçou o município. Foi a “tempestade perfeita” para que Perillo fosse adotado por Anápolis, que queria “se vingar” do MDB. Passados quase 30 anos de Maguito Vilela no Palácio das Esmeraldas, o estigma persiste. E, neste caso, uma boa popularidade do prefeito Márcio Corrêa pode ser estratégica e até fundamental para que Daniel reverta este clima histórico.






