A sede do Legislativo municipal foi palco de um episódio dramático na manhã desta sexta-feira (5). Uma mulher, identificada como Vanusa Amorim Oliveira, foi socorrida em estado grave após, segundo testemunhas, ingerir veneno de rato em um dos banheiros da Câmara Municipal de Anápolis.
O ato extremo acontece pouco mais de uma semana depois de ela ter procurado a polícia para denunciar a vereadora Seliane da SOS (MDB) por supostamente pressioná-la financeiramente.
De acordo com relatos de funcionários e presentes na Casa de Leis, Vanusa teria chegado ao local no início da manhã e permanecido escondida antes de ser encontrada passando mal.
Equipes de segurança e de saúde da própria Câmara prestaram os primeiros atendimentos de emergência. Até o momento, não há um boletim oficial sobre seu estado de saúde.

DENÚNCIA
O caso lança luz sobre um grave conflito que se desenrolava nos bastidores do poder municipal. No dia 26 do mês anterior, Vanusa registrou um boletim de ocorrência no qual detalha uma série de pressões que teria sofrido por parte da vereadora Seliane, que a teria indicado para um cargo na gestão municipal.
No documento policial, a denunciante afirma que a parlamentar exigiu a compra de diversos bens — incluindo uma máquina de lavar, um sofá, dois fornos de micro-ondas e duas bicicletas para sorteio — além de uma transferência via Pix no valor de R 13 mil em seu nome. Diante da recusa, ela alega ter passado a sofrer ameaças de exoneração e a ser alvo de ofensas.
Ao final de seu depoimento, a vítima mencionou que um assessor ligado à vereadora chegou a repassar-lhe aproximadamente R$ 3,8 mil, valor cuja natureza não foi esclarecida.
No Boletim de Ocorrência, Vanusa Oliveira anexou comprovantes de depósitos que vem para a conta da vereadora e para outro servidor como provas das denúncias que registrou.
OUTRO LADO
Em nota oficial distribuída à imprensa, a vereadora Seliane da SOS apresentou uma versão distinta dos fatos. Ela confirmou enfrentar “uma situação delicada envolvendo uma ex-assessora”, mas atribuiu a crise a comportamentos inadequados da denunciante, que teriam “afetado a rotina do gabinete” e a obrigado a acionar as autoridades.
A parlamentar descreve um quadro de assédio, citando o recebimento de mensagens durante a madrugada, perseguição em diferentes locais, aproximações indevidas e a formalização de “denúncias falsas” e de um boletim de ocorrência “infundado”.
Sobre o episódio desta sexta-feira, a nota afirma que a ex-assessora esteve na Câmara, onde fez ameaças de atentar contra a própria vida, sendo prontamente socorrida. Seliane da SOS conclui o comunicado pedindo que o caso seja tratado com “seriedade e responsabilidade” e destacando a importância dos cuidados com a saúde mental.
A Polícia Civil investiga as acusações de ambos os lados, e o caso expõe uma trama complexa que mistura alegações de crime, disputas políticas e uma profunda crise pessoal.






