As associações Amigos do Mapa (Museu de Artes Plásticas de Anápolis) e Amigos da Galeria de Artes Antônio Sibasoly mantém como sede de funcionamento de suas atividades privadas endereços dos respectivos prédios públicos a quem dizem ser “amigos”.
De acordo com a documentação fiscal de ambas as empresas, o endereço das sedes fica dentro dos imóveis onde funcionam os espaços de arte mantidos pela prefeitura, sem que haja qualquer convênio que formalize o uso.
Este é o conteúdo de uma denúncia feita ao Ministério Público de Goiás (MP-GO) a qual o Anápolis Diário teve acesso. Nela, há o questionamento sobre o uso indevido e a não realização de um acordo com benefício à gestão municipal, como concessionária do espaço. Caberá ao MP definir se avança nas investigações ou não, a depender da análise jurídica do fato denunciado.
Conforme apurou a reportagem com base em informações públicas, tanto a Amigos do Mapa quanto a associação dos amigos da Galeria Antônio Sibasoly possuem endereços na Praça Americano do Brasil, sem número, endereço-sede do museu, e Praça Bom Jesus 101, local onde funciona a Galeria Antônio Sibasoly.

Quem está à frente de ambas as associações é o professor e artista plástico Paulo Henrique Silva. Embora o nome de Silva, que é servidor público em Goiânia e cedido à Prefeitura de Anápolis, não esteja oficialmente ligado às associações privadas, interlocutores próximos de Silva confirmaram ao AD que é ele quem “toca” as instituições.
Oficialmente, ambas as entidades são presididas pela mesma pessoa: Sirlene Rodrigues de Melo. Ela foi posta no comando das associações em julho de 2020, com apenas um dia de diferença da nomeação das duas associações. Lá permanece até hoje. Sirlene ainda possui uma microempresa individual (MEI), que não guarda relação formal com a atuação das associações.
SUMIU
Procurado pela reportagem, Paulo Henrique concordou em conceder uma entrevista sobre a atuação das associações no cenário cultural local e a situação envolvendo as sedes em prédios públicos. Figura ativa no cenário das artes plásticas municipal, Silva é bastante conhecido pelas diversas atividades pela cultura que envolvem o museu e a galeria, objeto das associações.
Só que, ao receber as perguntas, passou a questionar qual seria o “tema da reportagem”. Em seguida, o curador e artista plástico não respondeu mais às mensagens. Ele também não respondeu as questões enviadas, que são:
- Qual o papel das associações amigos do mapa e da galeria no fomento a cultura na cidade envolvendo esses dois aparelhos públicos?
- as associações estão sediadas na própria sede da galeria e do museu. Existe um acordo/convênio com a prefeitura para este uso?
- qual a sua análise do desenvolvimento de uma política de cultura na cidade visando o fomento de artistas e produtores locais?
NOVA TENTATIVA
A reportagem também procurou Sirlene Rodrigues de Melo, apontada como presidente na documentação fiscal das associações privadas. Para tanto, foi feito contato pelo mesmo número indicado para ambas as associações.
Não houve nenhum retorno por parte da presidência das associações até o momento. O espaço segue à disposição de Paulo Henrique Silva, Sirlene de Melo ou qualquer representante que fale em nome das empresas.
(Filipe Santos)






