Uma das anedotas mais recorrentes da rivalidade de brasileiros com argentinos é que o melhor negócio do mundo é “comprar um argentino pelo preço que ele vale e vendê-lo pelo valor que ele acha que vale”. O complexo de superioridade dos hermanos é um traço cultural conquistado ainda nos anos 1980. E, embora a Argentina não viva seus dias de glória, persiste no imaginário a ideia no imaginário popular.
O comportamento do vereador municipal – uma redundância que precisa ser feita – Suender Silva é digno de fazê-lo o anapolino mais argentino da Câmara Municipal.
Eleito por anapolinos iludidos de que ele continuaria combativo contra a corrupção e outros crimes como fez no primeiro mandato, hoje, Suender atua como, no mínimo, um Senador da República de Anápolis.
Ou seja: o que ele acha que é está bem distante do que ele realmente… vale.
A prova da diferença do tamanho que Suender efetivamente tem para a estatura que enxerga no seu espelho está em seus discursos. Afinal, desde o início do segundo mandato, o vereador do PL esqueceu tudo o que disse no mandato anterior.
CPMI
E, agora, vem o pior: Suender está calado e acuado com o escândalo do PL no esquema de corrupção promovida pelo seu presidente, Hélio Araújo. Há mais de 10 dias, Suender foge da imprensa. Mas seu momento mais “Hermano” toma forma mesmo é na tribuna.
Além de nunca ter feito uma menção sequer sobre um caso de corrupção municipal, feito literalmente do seu lado (tanto na Câmara quanto dentro do partido que ele deveria fiscalizar), na sessão desta terça-feira (14), o vereador demonstrou imensa preocupação com o andamento da Comissão Parlamentar Mista de Investigação (CPMI) que investiga o desvio de aposentadorias de milhões de brasileiros. A pergunta foi feita ao deputado federal Rubens Otoni (PT) no momento em que o parlamentar fazia um anúncio histórico para o município: a instalação de um campi da UFG na cidade.
RECORTE
Enquanto se cala e evita enxergar o que está ao alcance de seu mandato e de suas mãos já que é integrante do PL, Suender Silva ainda fez um recorte, no mínimo, curioso sobre o desvio federal: o fato de ter começado em 2019, durante o primeiro ano do Governo Bolsonaro. Suender não mencionou o fato, mas se ateve a uma suposição sem qualquer prova: o envolvimento do irmão do presidente da República no esquema.
O “senador municipal” mira no Presidente do Brasil, mas finge que não vê a Polícia Civil batendo na porta do presidente municipal do seu partido.






