Uma semana depois da notícia de que se tornou réu por corrupção passiva, o presidente do PL, Hélio Araújo, escolheu a forma mais difícil e desgastante de lidar com o fato que muda tudo em sua trajetória política. Enquanto mantém o silêncio, longe do assédio da imprensa, Araújo optou pela inércia ao invés de pedir o afastamento da Presidência do PL e do cargo de assessor especial da Prefeitura de Anápolis.
Sua decisão constrangeu os demais integrantes e dirigentes do PL. Do vice-presidente da legenda, passando pelo suplente de vereadores Richelson Xavier e pelo diretor do sindicato rural e integrante da direção do partido, Randerson Aguiar, todos tentaram dar explicações e contemporizar na espera de uma manifestação de Hélio Araújo.
Pior para os nomes públicos com mandato da legenda. Jean Carlos e o ex-combatente anticorrupção Suender Silva fizeram voto de silêncio e passaram os últimos oito dias fugindo dos microfones e da procura da imprensa, seja diretamente com eles ou via assessoria. Ambos à empresa de uma ação de Araújo.
Agora, as informações dos bastidores dão conta de que um encontro entre o prefeito Márcio Corrêa e o senador Wilder Morais, ambos do PL, deve selar o destino do agora réu. E o caminho deve ser a destituição de ambos os cargos, na Prefeitura de Anápolis e no comando do partido.
“O prefeito só irá tomar uma atitude após uma conversa política com o senador. É uma questão de respeito e de sintonia com o presidente regional do partido que ele também faz parte”, adianta um interlocutor do gestor anapolino, ao explicar o tempo levado até esta decisão.
O PL pode até se livrar de Hélio Araújo, mas não irá se desprender do que ele causou. Isto porque, segundo as investigações, as contas bancárias do partido foram destino intermediário dos desvios promovidos no gabinete do então vereador. Desta forma, o PL ainda terá um longo caminho para responder ao processo e promover defesa sob o risco de ser arrolado no meio do processo de corrupção do ex-vereador.






