O Parque Ipiranga é o local público mais frequentado da cidade. Inaugurado em 2010 pelo então prefeito Antônio Gomide (PT), hoje deputado estadual, o local se tornou uma referência em lazer, contemplação ambiental e prática esportiva. Aos finais de semana, o movimento aumenta com praticantes de caminhadas e corridas, e famílias que se reúnem até para realizar festas de aniversário de crianças.
A concentração de visitantes também atraiu comerciantes para além dos quiosques que estão estabelecidos e legalizados. Rapidamente, a situação saiu de controle e o que se tem hoje no espaço é uma disputa entre comércios improvisados e aqueles que querem utilizar o espaço público do parque.
São hamburguerias, pastelarias, vendedores de churros e até mesmo barracas com artesanato e outros produtos. Vários deles montam dezenas de mesas e cadeiras sem qualquer controle. Além deste grupo, diversos negócios são “inaugurados” a cada fim de semana, como brinquedos infláveis e aluguel de carros infantis e patinetes.
“Virou uma feira, isso sim”, lamenta a aposentada Eliane Cássia. Frequentadora do parque “pelo menos três vezes na semana”, ela aponta para o rápido crescimento em ocupação de espaço dos vendedores de alimentos. “Começou com um carrinho aqui, outro ali, e hoje eles estão colocando mesas, cadeiras e invadindo o espaço que deveria servir para todos usarem. Não está certo”, desabafa a aposentada. “Nos finais de semana, parei de vir”, revela.
ENERGIZAÇÃO
A ocupação ilegal dos ambulantes, que se estabelecem ocupando significativa área, ganha uma outra preocupação: a forma como é feita a alimentação elétrica dos diversos aparelhos que entram em funcionamento com estes restaurantes irregulares. A montagem começa cedo, como flagrou a reportagem, quando um carro subiu dentro da área do parque para descarregar equipamentos, tendas, cadeiras e todo um aparato que, à noite, irá ocupar parte da área pública.

Sem controle, os ambulantes puxam ligações a partir dos postes e fontes de iluminação pública presente no parque. O risco de um acidente envolvendo a energização do local é evidente. A morte de uma criança de 10 anos na semana passada na cidade só comprova o quanto há no local um grande risco à segurança de todos.
A reportagem também registrou como são feitas as ligações. A fiação corre sobre o gramado no mesmo espaço onde, no momento do flagra, duas crianças brincavam com os pais jogando bola e correndo pelo gramado onde corria a fiação.


“Uns tempos atrás saiu a notícia de um menino que tomou choque aqui, mas esse foi o que ficou conhecido porque direto isso acontece por aqui”, revela a dentista F.C.L., que conversou com a reportagem sob a condição de não ser identificada. A frequentadora do parque se refere ao fato ocorrido em agosto deste ano quando uma criança recebeu descarga elétrica ao encostar em um poste no estacionamento anexo ao local.
No último sábado, havia ao menos 20 comércios ambulantes de diferentes estruturas. Um deles, que vende churros, garantiu que “está se organizando” para na próxima semana conseguir pelo menos três meses com cadeiras. “Ajuda nas vendas”, aposta.







