Um projeto copiado de Aparecida e de Goiânia chegou a Anápolis. Pelas mãos do vereador Cabo Fred Caixeta (PRTB), o projeto de lei apresentado na Câmara Municipal prevê o fechamento de distribuidoras de bebidas, os chamados “disk cervejas”, à meia-noite. O objetivo apresentado para justificar a medida é o fortalecimento à Segurança Pública, através do combate à violência.
No entanto, o projeto de lei, em seu texto inicial, não traz qualquer dado estatístico ou estudo técnico estruturado que comprove que um “toque de recolher” dos comerciantes seria eficaz de alguma forma. O único dado, solto no meio do projeto, não tem fonte para comprovação e refere-se que em Goiânia, segundo a Segurança Pública, “44% dos crimes aconteceram perto de distribuidoras”.
O dado comparativo não leva em conta, por exemplo, quantos crimes ocorrem próximo a farmácias, pitdogs ou qualquer outro estabelecimento comercial que esteja igualmente próximo a um disk cerveja.
Por outro lado, estabelecimentos comerciais que prestam o mesmo serviço na venda e consumo de bebidas alcoólicas, como bares e restaurantes, não seriam atingidos pela suspensão das atividades em determinado horário. É como se o efeito etílico na Avenida São Francisco fosse diferente do que ocorre no Recanto do Sol.

Em entrevista, o próprio vereador flertou com uma ideia de diferentes comportamentos de usuários de álcool em bares “sentados em mesas” e os clientes de uma distribuidora. O discurso flerta com o preconceito sem qualquer constrangimento.
“Bares continuam funcionando normalmente. Porque lá no local você vê que são pessoas que realmente gostam de sentar, fazer a sua ingestão de bebidas alcoólicas. O problema maior são esses disk-cerveja, que não têm nenhuma mesa na frente. São as vezes moradores de rua que vão ali e já estão com os ânimos alterados”, justifica.
Segundo o parlamentar, pessoas que se aglomeram em disk cervejas “visivelmente embriagadas” teriam uma tendência de “partir para uma agressão muito fútil”. Ele defende, no entanto, que os comércios podem continuar vendendo as bebidas na modalidade de entregas. Ou seja: na prática, um grupo de pessoas pode pedir o serviço de “delivery” na esquina do local e consumir normalmente, driblando a lei proposta pelo parlamentar.






