O caso do Relatório 43, que envolvia o deputado estadual Coronel Adailton (SD) a um esquema de corrupção ligado a um “megatraficante” mostrou ser “um escândalo dentro de outro”. O documento, que chegou à redação do Portal 6, era completamente falso, uma vez que nunca existiu dentro da Secretaria de Segurança Pública (SSP).
Só que dentro do escândalo, em que houve esta reviravolta, possivelmente há um terceiro: saber quem produziu este conteúdo falso e remeteu a veículos de comunicação. Há facilmente nos fatos a dedução de que o objetivo era incinerar a imagem pública de um coronel PM e deputado estadual. O documento maquinado é um tiro na testa por envolvê-lo com o narcotráfico.
O Grupo Especial de Investigação Criminal (GEIC) tem feito um trabalho de coragem e correição. Principalmente quando nomes poderosos são envolvidos. Ou, melhorando a afirmação: ainda que nomes importantes estejam na mira. Nesta investigação rapidamente obteve a identificação da inexistência do relatório dentro da SSP e elucidou o caso, envolvendo os jornalistas e o portal que divulgou a notícia. Caso de injúria e difamação.
Mas, agora, a missão dos integrantes do GEIC continua. É imperativo continuar e identificar quais anônimos ou poderosos têm interesse na derrocada sumária do coronel-deputado. Afinal, é preciso saber quem anda produzindo e repassando à imprensa documentos falsos.
Neste novo ponto de partida é fundamental traçar uma linha no chão, delimitando constitucionalmente as ações: contar com a participação de jornalistas só é opção na linha de investigação se houver disposição de cada um em contribuir.
O GEIC possui delegados e equipe competentes, de atuação ética retilínea. Também tem ao seu dispor os dispositivos tecnológicos do GAECO, do Ministério Público e um punhado de outros ferramentas que podem contribuir para saber quem são os autores da falsificação.
Mau Jornalismo, má apuração ou jornalismo que é levado ao engano não é crime. Pode acarretar algum, como até o momento parece ser o caso. Mas é fundamental que, agora, o GEIC precisa seguir seu trabalho sem contar com a colaboração dos jornalistas como informantes.
Até segunda ordem – qual seja uma nova informação decisiva – a imputação de responsabilidade de autoria a um jornalista por usar um documento falso é uma acusação absurda pela falta de lastro. A insinuação foi feita da vítima, o deputado estadual, é compreensível, mas não pode ser considerada relevante até o momento.
São fáceis as linhas a serem definidas para esta identificação. A primeira delas é saber quem são os inimigos políticos do deputado vitimado pela reportagem. Em seguida, ato contínuo, vislumbrar quem ganharia com a queda do parlamentar, representante da cidade na Assembleia Legislativa.
Ao jornalismo do Portal 6, até surgimento de fato novo, sobrou excesso confiança na fonte e, por isto, vão ter de responder pelos indiciamentos. Mas é preciso deixar claro que fontes não nascem com credibilidade. Fontes ganham confiança com o tempo em que vão cravando boas e verdadeiras informações. Se foram traídos, que se virem com os aproveitadores que usaram da audiência do Portal 6 para detratar o deputado.
E que tenham a garantia de fazê-lo com o devido sigilo e discrição.






