A Urban, empresa responsável pela exploração comercial do transporte coletivo em Anápolis sempre se manteve no limite da polêmica. A maior parte do tempo voou abaixo do radar, e só aparecia em alguns momentos para negociar reajustes de passagens com o Poder Público Municipal.
Já para os usuários, o assunto Urban é uma constante em reclamações pela qualidade do serviço, a conservação dos ônibus ou mesmo pelas linhas disponíveis na cidade. Mas, ainda assim, o “grito rouco das ruas” nunca alto o suficiente para ser efetivamente ouvido pelas autoridades municipais.
Mas, agora, a Urban entrou nos holofotes. Com o questionamento na Justiça pelo direito de reajustes a passagem do transporte, garantindo uma liminar que reconhece o valor de custo da planilha de R$ 8,19 por pessoa, a empresa virou vidraça. Tanto da população quanto da classe política.
Na sessão da última segunda-feira (1º), diversas manifestações no Legislativo foram de críticas à empresa e de questionamento quanto às planilhas financeiras. O principal argumento é saber como uma empresa que afirma ter prejuízos de R$ 3 milhões por mês se mantém funcionando e ainda não rompeu o contrato com a cidade.
AUDIÊNCIA
Sem apoio popular, que na verdade tem a visão mais crítica à prestação de serviço, a Urban pode se tornar alvo fácil na Câmara Municipal. Presidente da Comissão de Transporte da Câmara, Wederson Lopes (União) propôs a criação de uma audiência pública para tratar do tema.
Com o tema “O futuro do transporte coletivo em Anápolis”, a reunião acontece na próxima sexta-feira (05) às 9 horas da manhã na Câmara Municipal. “Será uma audiência para apresentação de documentos, planilhas e principalmente soluções para o transporte coletivo”, aposta o parlamentar, autor da iniciativa.
Lopes afirma que algumas questões precisam ser respondidas pela empresa, como saber se a Urban irá, de fato, cumprir o que está no contrato com a cidade. “A empresa cumprirá o contrato? Uma vez que já opera o sistema há 10 anos e nunca cumpriu integralmente o contrato”, defende.
Questionado se pode haver rompimento de contrato e substituição por uma nova prestadora de serviço, o vereador garante que “esses são alguns questionamentos que serão levantados na audiência”.
CEI
Mais direto, o vereador João da Luz (Cidadania) propôs a abertura de uma Comissão Especial de Investigação (CEI). Ao ser questionado pelo Anápolis Diário qual seria o objetivo da comissão, João foi taxativo: “investigar tudo”.
Ele afirma que alguns vereadores já estão em análise sobre a possiblidade de assinar pela abertura da CEI. Sobre sua participação na CEI, Wederson Lopes é cauteloso, mas não descarta a possibilidade.
“Sobre a CEI, ainda não está em discussão. O vereador João da Luz apresentou a proposta e estaremos aguardando o resultado da audiência para avaliarmos a possibilidade de assinar a CEI”, explica.
Ao que tudo indica, serão três dias intensos de bastidores até que haja a audiência, que pode ser decisiva para o início de um processo de exposição das contas envolvendo a empresa e o transporte público em Anápolis.
URBAN
O Anápolis Diário procurou o representante jurídico da empresa, Carlos Leão. A ele foi questionado sobre a liminar concedida pela Justiça e as tratativas para negociar o possível aumento da passagem. Também foi questionado sobre a abertura de uma CEI na Câmara Municipal.
Até o fechamento desta reportagem, o advogado não tinha retornado a nenhum dos questionamentos. O espaço segue aberto e à disposição da empresa.






