A disposição do vereador Wederson Lopes (União) de dar visibilidade um movimento comercial de coach-religioso ligado, em Anápolis, à igreja City a qual é pastor, colocou toda a Câmara Municipal sob uma exposição negativa junto à opinião pública.
O projeto de lei, agora aprovado na Câmara, criando o “Dia dos Legendários” fez com que parte da população destacasse a “irrelevância dos debates” na Câmara Municipal. São centenas de comentários numa mesma vertente: “a cidade não tem problemas para serem resolvidos a ponto de criar dia de legendários”. O vereador e a Câmara foram massacrados nas avaliações populares.
Em entrevista ao Painel DM, Lopes se vitimizou, alegando que seu projeto ganhou polêmica porque “tudo que é ligado ao cristianismo gera polêmica”. Mas, além disto, ele afirmou que mentiras foram contadas por blogs e sites a fim de gerar engajamento.
Uma delas informações, chamadas de “mentiras” pelo parlamentar foi contada pelo Anápolis Diário, que classificou o “movimento” Legendários de uma empresa de excursão.
Quem paga, paga para uma empresa. Uma delas, em Anápolis, é a Legendários Goiás é de propriedade de Nelson Ruela de Lima. Localizada na Avenida Recife, quadra 31, lote 11, no Bairro São João, o negócio, criado em abril de 2024, ainda não fincou seus pés em Goiás, afinal o telefone de contato tem o código 038, referente ao Norte de Minas Gerais, onde também funciona outra empresa relacionada ao movimento de passeios imersivos.
A empresa Legendários, de Nelson Ruela, possui autorização para funcionar nas seguintes áreas: Treinamento em desenvolvimento profissional e gerencial Cnae 8599-6/04), Confecção de peças de vestuário (Cnae 1412-6/01) e “Serviços de organização de feiras, congressos, exposições e festas”, sob o CNAE 8230-0/01.
Além de ser um negócio lucrativo que, segundo o vereador já arrematou R$ 1,5 mil de “quase mil anapolinos legendários”, trata-se de uma empresa que organiza festas imersivas na montanha. Excursão, portanto, é pouco.



OUTROS CNPJs
O Movimento Legendários cobra de R$ 1490,00 a R$ 81 mil. O valor máximo foi contestado pelo parlamentar, no entanto, o valor praticado pelo “TOP Pantanal”, ofertado no último dia 09 de abril deste ano, custou R$ 81.490. Já uma das inscrições do “TOP Rio de Janeiro” saíram a R$ 81.590.
A principal empresa é a Legendários Brasil LGND BR, cujo CNPJ, de acordo com o Serasa Experian, é 51.011.185/0001-70. Com sede Curitiba, no Paraná, a empresa tem como atividade principal “organizações religiosas ou filosóficas”. Trata-se, conforme sua natureza jurídica, de uma “associação privada”.
Localizada na Rua Joaquim Caetano da Silva, 847, Portão, em Curitiba, a empresa atua na organização de eventos de cunho religioso ou filosófico (CNAE 9491-0/00). Outra finalidade da empresa é o “comércio varejista de artigos do vestuário e acessórios” (CNAE 4781-4/00). Por fim, no CNAE 9499-5/00 os Legendários estão aptos a realizar “atividades associativas não especificadas anteriormente”.
A empresa é presidida por Antero Elimar Ribeiro, que também se identifica como vice-presidente da Primeira Igreja Batista de Curitiba. Além da empresa Legendários, Ribeiro possui outros negócios sendo um deles a A e R Eventos e treinamentos, especializada em “serviços de organização de feiras, congressos, exposições e festas” e “Treinamento em desenvolvimento profissional e gerencial”.

LA MISSION
Há outra empresa privada relacionada aos Legendários no Brasil. Trata-se da Associação Legendários La Mission (CNPJ 57.536.010/0001-63). Sediada no Bairro Estoril, em Belo Horizonte, o negócio é presidido pelo empresário Gabriel de Magalhães Ferreira, que tem outras sete empresas em seu nome.
Os diretores da La Mission, que é responsável por realizar os eventos em montanhas de Minas Gerais, são os também empresários Rodrigo Siqueira de Noronha e Euller Bernardino de Oliveira.






