A vereadora Capitã Elizete, do PRD, demonstrou insatisfação sobre como repórteres ou veículos de Comunicação vem tecendo críticas acerca da conduta do Poder Legislativo. Não é possível desvendar qual tipo de análise a incomodou, ou seu autor, uma vez que ela mesmo não teve condições retóricas – ou coragem – de revelar.
O fato é que para condutas ofensivas e difamatórias existe o Código Penal. Para todo o resto, o julgamento deve ser da população, mais especialmente, do leitor, ouvinte, espectador. Quem julga o que a imprensa deve ou não comentar é quem consome notícia e análises.
Quem faz o filtro é o consumidor do conteúdo, não um político com mandato ou uma divisa no ombro.
Qualquer tentativa de dizer como um radialista/repórter/jornalista deve emitir opiniões é uma tentativa de censura. É coisa de, na melhor das hipóteses, um amador.
Capitã Elizete tem sete meses como representante parlamentar. É uma amadora pelo império do tempo. É justo lhe conceder esta dúvida. Do mesmo modo que é natural que sobre ela norteiem pensamentos antiquados, que remetam a um tempo em que a imprensa podia ser calada na força do cassetete.
É da Democracia permitir ter saudades de tudo, até dos tempos antidemocráticos.
Defender suas práticas, por outro lado, é crime. Mas isto – ainda – não está em tela. Só cabe dizer que a vereadora, ou qualquer outro, não tem de “admitir” nada. A admissão, é preciso repetir, cabe ao consumidor, não a um censor.
Ao contrário de emissoras de rádios, jornais, sites, jornais eletrônicos, blogs e emissoras de TV, que recebem políticos para falar o que bem entender e ter espaço para, eventualmente, obter o “direito de resposta”, um jornalista não pode usar a tribuna para dizer o que bem entender, sob proteção de imunidade parlamentar. E que bom que é assim, afinal, a tribuna é para eleitos, é solo sagrado da Democracia.
Mas a falta de compreensão da “paridade de armas” num debate é, no mínimo, desproporcional.
Figuras públicas, que são alçadas a tais condições por escolha e méritos próprios, devem saber que estão sob o escrutínio público, do povo e da imprensa livre.
A Política é uma escolha de múltiplas consequências.
O Jornalismo é uma profissão como outra qualquer.
Por fim, ao cobrar que o seu algoz intelectual revele os nomes de quem critica, ao mesmo tempo em que não revela o alvo de seu ataque pela “ousadia da crítica”, Capitã Elizete vai além da retórica empobrecida do amadorismo: também revela Covardia.
Ela faz do que reclama. Reclama daquilo que faz. E generaliza.
A imprensa é feita por dezenas de pessoas em Anápolis. Tal qual a pluralidade de uma Câmara Municipal, na imprensa há profissionais formados, outros práticos, há experientes decanos, outros estreantes novatos.
Há gente de toda a sorte, com as mais variadas intenções e interesses. Todos compõem a Imprensa. Isto não é bom, mas é a vida real. São os irregulares retalhos que compõem o tecido social.
Não é possível saber de quem a política está falando. Mas é certo: ela falou de um de nós ou, neste caso, de todos, da Imprensa.
Que a parlamentar enumere seus detratores, rebata suas críticas como bem puder, mas direcione o alvo de sua sanha a quem lhe tenha a responsabilidade. Do contrário, impede até mesmo que seu alvo lhe devolva o ataque.
Generalizar é o tipo de crime retórico que vemos todos os dias em que um policial militar é pego exagerando os limites de suas funções. E algum oportunista grita, “é preciso acabar com a PM!”.
Ou quando um político é acusado de corrupção por envolvimento em desvio de verbas da Educação (ou de qualquer outra área) e isto passa a servir de trampolim para gritar que “políticos não prestam e têm de acabar”.
O discurso, como concebido, é desproporcional, antiquado, amador e covarde justamente com quem promove a cobertura do Parlamento, este sustentáculo do desafiante regime chamado Democracia.
Apesar dos arroubos de miséria na retórica cotidiana.






