No dia 1º de julho, o professor universitário André Luiz dos Santos levou a sua família ao Brasil Park Shopping. Ele, sua mulher, sua filha e seu filho, que é autista, foram à Renner e realizaram as compras programadas. Depois, foram almoçar na praça de alimentação.
Após a refeição, Santos relata que a família ficou no local por mais um tempo, conversando, quando foram abordados por um segurança. Segundo o relato do professor, que leciona na Universidade Estadual de Goiás (UEG), o responsável pela segurança questionou sua esposa sobre a presença de seu filho próximo a eles.
“Ele se aproximou de minha esposa e, apontando para o meu filho, que é autista, perguntou se ele estava ameaçando-a”, explica. André Luiz revela que, inicialmente, não compreendeu do que se tratava aquela abordagem. “Começamos a questioná-lo e ele começou a falar no rádio com alguém perguntando sobre as características de alguém que saiu das ruas e tinha entrado no Shopping”, relata.
INSISTÊNCIA
Após explicar novamente ao responsável pela segurança de que o rapaz era seu filho, veio algo mais impactante. Segundo ele, o homem insistiu na desconfiança.
“Ele ainda insistiu. Ele falou com a minha esposa como se meu filho fosse um estranho. E estávamos todos juntos. Logo entendemos que a atitude dele era de discriminação com o nosso filho”, avalia.
André Luiz e sua família imediatamente deixaram o local. Logo após, sob estresse da família, ele relata que seu filho teve uma crise de regulação. “Minha filha entrou em pânico e minha esposa insistiu indagando o segurança, que não demonstrou nenhum incômodo com a abordagem”, lamenta. André Luiz arremata: “Isso que aconteceu teve um efeito muito negativo sobre nós”.
Indignado com a situação, o professor retornou ao Brasil Park Shopping no dia 19 deste mês a fim de formalizar uma queixa à administração do shopping. “Relatamos tudo que aconteceu e aguardamos a resposta. Eles responderam informalmente via WhatsApp, justificando que isso não era a postura do Shopping. E só”, afirma.
REINCIDÊNCIA
André Luiz diz que decidiu compartilhar a experiência que teve com a família após ver a ação dos seguranças em um caso envolvendo agressão física a entregadores de aplicativos de alimentação.
“Fica uma impressão muito forte que o shopping promove agressões e não é um lugar seguro para as pessoas frequentarem. Meu filho tem 19 anos e o mais difícil para nós é sabermos que ele pode ser agredido e discriminado em um lugar como o Brasil Park Shopping ou em qualquer outro lugar público”, lamenta o professor.
O registro da ocorrência interna feita junto à administração, e que foi respondida por uma mensagem de WhatsApp, tem o número 4056336.
SHOPPING
O Anápolis Diário tentou contato com o Brasil Park Shopping de duas formas diferentes: através do número da administração do comércio, conforme disponível no site oficial, e através de uma profissional que seria responsável pela Assessoria de Comunicação do estabelecimento. Não houve retorno de nenhuma das tentativas. O espaço segue aberto para quaisquer esclarecimentos.
REAMILTON
O Anápolis Diário também entrou em contato com o vereador que afirma ser defensor da causa do Autismo na cidade. A reportagem tentou contato com o vereador Reamilton do Autismo (Podemos), mas ele não deu retorno às mensagens sobre o ocorrido com o professor André Luiz e sua família.

FRED GODOY
Já o vereador Frederico Godoy (Agir), que é presidente da Comissão do Direito Humano e da Pessoa com Deficiência, manifestou indignação ao saber do ocorrido no estabelecimento comercial.
“Repudio qualquer atitude contra crianças ou adultos com deficiência ou com espectro Autista ou Down. Convivo com estas pessoas como forma de mostrar à sociedade que o isolamento é uma forma de discriminação, já que emprego em meu gabinete autistas e pessoas com Down para mostrar, também, que são funcionais e contribuem com a sociedade como qualquer outra pessoa”, declarou.
O parlamentar se colocou à disposição da família de André Luiz Santos e solicitou o contato do professor a fim de “prestar auxílio necessário”.







