Em 2016, a disputa entre João Gomes (então candidato pelo PT) e Roberto Naves (até então no PP), teve um ponto físico de debate: as obras da nova sede da Câmara Municipal. Iniciada ainda em 2014, o projeto foi alterado, paralisado, revisto e travou no momento da disputa eleitoral.
Passado o pleito, e com a vitória de Roberto Naves confirmada, a obra de grande porte num ponto central do município virou um incômodo para a população e um ponto de apoio de disputa política. De um lado, o prefeito recém-chegado, falando até mesmo em demolição do imóvel, de outro a cobrança do então vereador (que havia deixado a prefeitura em 2024) Antônio Gomide (PT) fazendo cobranças pelo término da obra.
A obra ficou abandonada por quatro anos, sem indicação de solução pela sua conclusão ou pela demolição do espaço. O espaço morto novamente tornou-se assunto nas eleições de 2020 e só no último ano do segundo mandato de Naves o projeto foi retomado, finalizado e entregue não mais como sede do Legislativo, mas ocupando a sede do Poder Executivo.

Agora, bem distante dos olhos cotidianos, a ponte estaiada que liga as avenidas Brasil Sul à Pedro Ludovico tem potencial de ocupar o mesmo espaço de queda-de-braço político entre prefeito e ex-prefeito. Desta vez, é Márcio Corrêa que volta à carga criticando a obra e sinalizando que pretende deixá-la abandonada até ter condições financeiras de terminar.
O objetivo político é claro: desgastar a trajetória de Roberto Naves pela Prefeitura de Anápolis, objetivo semelhante, incluindo o mesmo argumento financeiro, usado por ele para não dar continuidade imediata à nova sede da Câmara.
Neste meio tempo, uma guerra de versões acontece. O presidente da GoInfra, Pedro Sales, analisou a obra a convite da Prefeitura de Anápolis, e atestou que o projeto está correto, dentro dos valores proporcionais à obra e está apta para ser tocada.
Já Márcio Corrêa destaca que o valor de R$ 130 milhões é exacerbado e que poderia fazer uma ponte para atender a demanda com valores bem menores. Para isto, determinou a realização de uma auditoria. “Está sendo feita auditoria para detalhar tudo”, afirmou Corrêa, sem dar mais detalhes sobre os resultados preliminares da investigação.
Resta saber se o projeto da ponte estaiada será tocado dentro dos quatro anos de mandato de Márcio Corrêa ou se ficará abandonada no período. Segundo informações do próprio prefeito atual, 40% da obra foram realizados, ou seja, os investimentos já realizados são de R$ 52 milhões.







